Cidade não registrou casos de dengue neste ano
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quinta-feira, 26 de junho de 1997
Josiane Schulz Londrina 
Londrina não registrou neste ano nenhum caso de dengue. A informação é do supervisor da Fundação Nacional de Saúde (FNS), Distrito Sanitário de Londrina, Elson Belisário. Levantamento feito pela FNS registrou também queda de 90% nos casos notificados de dengue no município, em relação ao ano passado.
Conforme o levantamento, no primeiro semestre de 96, foram notificados 958 casos de dengue em Londrina. Desses, cerca de 370 foram confirmados. Ou seja, 370 pessoas tiveram a doença. Já neste ano, o número de casos notificados caiu para 104. Nenhum deles foi confirmado. Belisário viu com entusiasmo as estatísticas da Cidade. É o fruto de uma campanha intensa que envolveu esforços da Fundação, de órgãos da Prefeitura e do Governo do Estado. Mas que reflete a conscientização da comunidade, disse.
Belisário contou que o mosquito transmissor da dengue - o Aedes aegypti - foi identificado pela primeira vez em Londrina em 1986. Mas foi em 1994 que surgiram os primeiros casos da doença. Apesar das campanhas de controle e conscientização, no ano passado foram registrados os maiores índices de contaminação. Foram notificados 1.086 casos e confirmados 405.
Em setembro do ano passado, começou uma campanha intensiva de combate à dengue. Segundo Belisário, foram desenvolvidas ações conjuntas entre a FNS e outros órgãos. Visitamos residências, fizemos palestras, treinamentos, e arrastões de limpeza. Tudo para evitar a proliferação do mosquito da dengue. E os trabalhos continuam.
Uma das atividades envolvia estudantes. Eles passaram por treinamento, oferecido pela FNS, e colaboraram na identificação de focos do mosquito, fazendo visitas às casas. Belisário contou que foram distribuídas 1.200 placas nos terrenos baldios e fundos de vale, alertando para os riscos de se jogar lixo nesses locais. Na limpeza dos fundos de vale, foram recolhidos 150 mil quilos de materiais recicláveis.
Um instrumento utilizado no combate ao mosquito é o caminhão que ficou conhecido popularmente por Fumacê, devido à fumaça que solta. Essa fumaça é o veneno utilizado para matar os mosquitos e também as larvas. É esse veículo que passa pelas ruas próximas ao local onde foi identificado o foco do mosquito. Belisário explicou que o veneno não faz mal ao ser humano, mas é necessário ter cuidado com pequenos animais e também cobrir os alimentos.
Apesar das estatísticas favoráveis, Belisário lembrou que existem casos que não são registrados. Os sintomas da dengue são os mesmos de uma gripe forte. Dessa forma nem todos os casos de dengue acabam registrados. Ele acredita que no ano passado, por exemplo, entre 5 e 6 mil pessoas podem ter contraído dengue, sem notificação.
Belisário apela à comunidade para que continue ajudando a controlar a infestação. Qualquer lugar que acumule água pode conter foco do mosquito. Os vasos e seus pratos devem ter areia ou terra, as caixas dágua devem permanecer tampadas, garrafas devem ser mantidas com a boca para baixo, explicou. Segundo Belisário, os pneus são problemas sérios no controle, pois não são recicláveis. As pessoas têm que ser criativas. Usem os pneus para fazer uma horta, guardem-nos em locais cobertos. Já que eles não tem para onde ir. A solução para os pneus é uma máquina que os tritura e reaproveita, que custa R$ 2,5 milhões. É muito cara.
O agente da FNS afirmou que as cidades de Cambé e Ibiporã também tiveram redução drástica do número de casos. No ano passado, Cambé notificou 800 casos. Nesse ano, foram 17.


