Atacando os problemas diretamente relacionados com a criminalidade e buscando também soluções para as causas de uma característica que é comum nos grandes centros do Brasil, a cidade de Diadema que até o início do século era recordista em ocorrências policiais hoje é referência no combate à violência urbana. Um dos exemplos do sucesso destas políticas é a queda do índice de homicídios, observada depois da implementação de medidas específicas para este fim: enquanto em 2000 a polícia paulista registrava 270 mortes por ano, quatro anos depois a mesma taxa caiu para 129. A cidade tem 380 mil habitantes. Londrina, com 480 mil habitantes, assistiu 183 homicídios em 2004. Este ano, o número de ocorrências chega a 83.
''Diadema já contava com medidas de combate à criminalidade, que abrangiam desde a instalação de uma secretaria municipal de Defesa Social, até o uso de uma guarda municipal. A ONG 'Sou da Paz' começou a atuar em 2004 e ofereceu perspectivas de continuidade destas medidas'', explicou a antropóloga Paula Miraglia, que vai estar presente no Fórum Popular de Segurança Pública da Região Metropolitana de Londrina (leia mais nesta página).
A antropóloga destaca, no entanto, que tais políticas não devem se restringir a ações ostensivas ou de combate direto à violência urbana, a principal causa de mortes em todo o mundo. ''Experiências bem-sucedidas nos mostram que as políticas de longo prazo, baseadas na integração entre comunidade e autoridades, são as mais eficientes'', ressalta.
Como exemplos, Paula cita a implementação de ações direcionadas ao público jovem (as maiores vítimas de homicídios no País) e o aproveitamento otimizado de espaços públicos uma alternativa que, além de oferecer lazer para crianças e adolescentes, elimina pontos normalmente utilizados por traficantes.
O comércio de entorpecentes, por sinal, foi citado pela antropóloga como uma das maiores causas da violência urbana, uma informação que vai de encontro ao contexto londrinense. Segundo o delegado-operacional da 10 Subdivisão Policial, Joaquim de Melo, 90% dos homicídios estão relacionados com o tráfico. ''É uma atividade que, além de ser obviamente degradante, incentiva o comércio de armas'', explica Paula.

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