O hospital Central Médica de Corumbataí do Sul (51 km a leste de Campo Mourão), o único da cidade, está completando quatro anos de fechamento. O estabelecimento foi interditado pela 11 Regional de Saúde em 1997 por problemas estruturais e não reabriu mais. Deste então, os 5 mil moradores do município dependem de hospitais da região.

Inaugurado em 1989 com 20 leitos, o hospital hoje está em estado de abandono. Um dos donos do estabelecimento é o prefeito de Roncador, Odilon Andreoli Gonçalves (PSDB). Ele diz que tem interesse em reabrir o hospital, mas para isso precisa de uma parceria com a prefeitura. Gonçalves afirma que é preciso pelo menos R$ 80 mil para recuperar o prédio.

''Estou aberto para a conversação'', diz Gonçalves, que é sócio do hospital junto com o irmão Paulo Gonçalves Andreoli (PSDB), prefeito de Campina da Lagoa. Os dois têm hospitais em suas cidades. Uma das exigências de Gonçalves é que a prefeitura libere as 31 Autorizações de Internações Hospitalares (AIHs) mensais para o estabelecimento.

Segundo Gonçalves, está cada vez mais difícil manter hospitais em cidades pequenas. ''As exigências da Saúde são cada vez maiores e os repasses do SUS (Sistema Único de Saúde) menores'', explica. O médico ressalta que, sem a ajuda das prefeituras, os hospitais dos municípios pequenos não sobrevivem. ''Vai ocorrer igual aos cinemas: vão fechar todos'', prevê.

O prefeito de Corumbataí do Sul, José Antônio Cafissi (PSDB), alega que a prefeitura não está em condições de ajudar. ''Seria muito bom para o município voltar a ter um hospital, mas existe uma Lei de Responsabilidade Fiscal que precisa ser obedecida'', explica. Ele diz que a prefeitura já ajudou o hospital doando o terreno e materiais de construção.

A secretária municipal de Saúde, Eliane Cristina da Costa Pereira, conta que mais de 30 pacientes por mês são encaminhados para internamentos em outras cidades. Nem ela escapou do drama. Há dois anos, quando estava grávida, teve que ser levada a Tapejara, a 150 km de distância, para ter o bebê. ''Passei a viagem toda com contrações e dores'', relembra.

Dos 25 municípios da região de Campo Mourão, quatro não têm hospitais. Outros dois estão com seus estabelecimentos fechados. Em Altamira do Paraná, os dois hospitais um público e outro particular foram interditados em junho pela Regional de Saúde. Em Moreira Sales, o próprio dono fechou o hospital no início do ano alegando falta de repasses de AIHs.

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