Cidade está sem cadeia há 8 meses
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quinta-feira, 11 de setembro de 1997
Maurício Borges Apucarana 
Com a cadeia pública interditada há oito meses e sem previsão de ser reformada pelo Estado, a Justiça de Faxinal (60 km ao sul de Apucarana) não tem onde manter os presos da Comarca. Anteontem, a juíza Luciani Regina Martins de Paula recebeu fax do juiz Carlos Maurício Ferreira, da Vara Criminal de Apucarana, negando-se a abrir vaga no mini-presídio para mais um preso de Faxinal.
A situação está insustentável e se houver novas prisões não sabemos o que fazer com estas pessoas, desabafou a juíza. Outros sete presos da Comarca foram distribuídos para as cadeias de Grandes Rios, Borrazópolis e Apucarana.
Com a prisão em flagrante de Abel de França, 18 anos, por furtos e tentativa de homicídio, a juíza foi obrigada a mantê-lo no prédio que ela própria interditou em dezembro do ano passado. Somente ontem ela pôde encaminhá-lo para a cadeia de Grandes Rios, depois da abertura de uma vaga temporária. A juíza foi informada que a vaga é por tempo limitado.
Diante das dificuldades, a juíza está remetendo mais uma correspondência à Secretaria de Estado da Segurança Pública, pela quinta vez, providências urgentes para a execução das reformas necessárias no prédio que abriga a cadeia e delegacia do Município.
O prefeito de Faxinal, Valdecir Poletini (PDT), que desde a interdição da cadeia está intermediando a execução da obra, já se dispôs a fornecer toda a mão-de-obra e aguarda a liberação de recursos para aquisição de material.
Interdição O pedido de interdição da cadeia e da delegacia de Faxinal foi apresentado em novembro do ano passado pelo promotor Eduardo Diniz Neto e deferido no dia 28 de dezembro pela juíza Luciani Regina Martins de Paula. Em vistoria feita no prédio, o representante do Ministério Público constatou que as instalações estavam em péssimo estado de conservação, sem as mínimas condições de higiene, e com sistemas hidráulico e elétrico defeituosos.
Também foi constatado que a cadeia, construída há mais de 30 anos, tem uma estrutura totalmente imprópria e deficiente. Nos últimos três anos aconteceram várias fugas, inclusive através de buracos feitos na parede do prédio. A precariedade do prédio foi comprovada em laudo de perícia requisitado pela promotoria à Polícia Técnica de Londrina.


