Cidade está mais sujeita a alagamentos
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quarta-feira, 07 de dezembro de 2005
Fernanda Borges e Luciano AugustoReportagem Local 
Trânsito congestionado ou interrompido, casas e ruas alagadas. A chuva que atingiu Londrina na tarde de segunda-feira causou tudo isso e mais: pessoas tiveram móveis e até casas destruídas. E não choveu tanto para problemas tão graves. Segundo o Sistema Meteorológico do Paraná, a quantidade de chuvas foi normal para esta época do ano.
Muitos dos transtornos poderiam ser evitados se não houvesse na cidade tantos bueiros entupidos de lixo, afirma o engenheiro civil da Secretaria Municipal de Obras Joaquim Warga. Além disso, segundo ele, a cidade está muito impermeável, não há como a água escoar. ''Temos 50 mil bueiros na cidade, mas é preciso que a população não jogue lixo. Encontramos de tudo: garrafas plásticas, copos e muitos papéis de propaganda. A população está fazendo um mal para ela mesma'', disse.
A Secretaria de Obras possui um mapeamento com pontos que apresentam problemas quando chove. E o número desse pontos vêm aumentando, como é o caso de um bueiro na esquina da Rua Quintino com a Mossoró. ''Antes, a água escorria com mais facilidade ali. Desta vez tivemos que interditar o trânsito para desentupir o bueiro'', disse.
A Zona Norte foi uma das regiões que mais sofreu com a chuva. Segundo Warga, o problema acontece pela falta de escoamento da água. ''É uma região alta, mas existem muitas casas sem grama, só com calçamento. Seria bom que nas casas houvesse pelos menos uns 20% de terra para a água da chuva ser absorvida''.
A comerciante Rosenilda da Silva, que trabalha na avenida Saul Elkind, disse que todos os anos, com chuva forte ou não, sofre com alagamentos. ''Aqui não tem bueiro, a água toma conta das casas. Até o meio fio aqui perto da minha loja as pessoas já quebraram para que a água possa escorrer'', reclamou.
Na Zona Oeste, a aposentada Olívia Ribeiro Pereira, 76 anos, quase viu seu cãozinho ser engolido pela enxurrada que inundou de lama sua casa, no Parque Universidade. ''Problema antigo'', disse, apontando para o bueiro que não dá conta de toda a água em dias de temporal. Seu filho, Donizete Pereira dos Santos, representa os moradores do bairro e mostrou que desde o final de 2003 pede para a Prefeitura consertar o desnível da rua que não permite o escoamento da enxurrada, e para que sejam construídas mais bocas de lobo.
Ontem, a intenção dos moradores era quebrar o asfalto para permitir que a água escoasse e conseguir que, assim, a comunidade fosse atendida. Mais uma vez, decidiram ''não criar caso porque, aí sim, o pedido não seria atendido''. Santos contou que no final da tarde de segunda-feira, o problema de escoamento causou mais uma inundação em sua casa, a quarta nos cinco anos que mora com a mãe no início da rua Mitsuko Kikuta. A situação, segundo ele, se estende a outras seis ruas, prejudicando cerca de 100 moradores.


