Kraw PenasAdriana: só cinco colegas na aulaA reativação das minas de chumbo e a exploração do turismo podem representar a retomada do desenvolvimento da região de Adrianópolis, mas sem o asfalto na Estrada da Ribeira os projetos se tornam inviáveis. O município está ‘‘encolhendo’’ por causa do isolamento. O número de habitantes caiu para menos da metade desde 1980, chegando a 7.000 habitantes no ano passado. A população sofre até com a falta de produtos alimentícios, por causa das dificuldades no transporte pela BR-476.
O prefeito José Carlos dos Santos (PTB) diz que um grupo de três empresas, incluindo a Votorantim, estuda a reativação das minas de chumbo no segundo semestre deste ano. Adrianópolis já teve oito mineradoras, que chegaram a empregar quase 2.000 pessoas, mas todas fecharam nos últimos anos. A última a fechar foi a Plumbum, do Grupo Trevo, que encerrou suas atividades há três anos. Segundo o prefeito, a nova mineradora poderia criar 150 empregos diretos. Além de rico em chumbo, o município tem jazidas de outros mineirais, ouro e prata inclusive.
A beleza natural da região, com muitas cachoeiras, grutas e montanhas, também poderia ser explorada por meio de um turismo planejado. ‘‘Mas isso só depois que tivermos asfalto,’’ ressalta o prefeito.
Adrianópolis produz laranja, milho e extrai madeira, mas o escoamento fica prejudicado por causa das condições das estradas. O caminhoneiro João Lemos, 59, diz que já está acostumado aos atoleiros e que, em um ano fazendo fretes na Estrada da Ribeira, não viu qualquer providência ser tomada. ‘‘O jeito é pedir socorro para quem tem trator’’, reclama. Em apenas um dia, Valdenei Lange Pacheco, 25, ajudou a desencalhar quatro caminhões de um atoleiro perto de Bocaiúva do Sul, usando o trator da empresa em que trabalha.
A situação do município de Ribeira, do outro lado da margem, já no Estado de São Paulo, também é difícil. Nos últimos dois dias a cidade ficou isolada porque uma pedra de 80 toneladas bloqueava a estrada e a balsa não estava funcionando. A população não tem alternativa senão usar a passarela condenada para ir buscar alimentos e até combustível em Adrianópolis. Lionira Rosa Ramos, 48, mora em Ribeira mas atravessa a passarela mesmo com chuva para trabalhar em Adrianópolis.
Adriana Agibert, 13, mora em Adrianópolis e vende pão caseiro em Ribeira. Ela conta que na escola apenas cinco colegas estão indo para a aula, porque os restantes moram na área rural e as estradas estão bloqueadas. Gidiôni de Oliveira Macedo, 38, tem um mercado em Ribeira, mas depende da passarela para buscar mercadorias e até combustível em Adrianópolis. O posto de Ribeira fica fechado quando a cidade está isolada. (M.K.)

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