Foi enterrado ontem em Londrina, às 17h30, no Cemitério São Pedro (área central), o pioneiro Olavo Godoy. Ele morreu no último domingo, no Hospital Evangélico, poucas horas depois de sofrer uma queda no interior da casa-sede na Fazenda Santa Helena, localizada no distrito do Espírito Santo (zona sul). Olavo Godoy tinha 83 anos e sofria do mal de Parkison.
Personagem conhecido na história londrinense, o pioneiro encontrou a solidão na hora da morte. Durante as 24 horas de velório, poucos amigos foram prestar a última homenagem. Não havia muitos carros em frente à Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf), nem filas em frente ao caixão, cenas comuns quando alguma pessoa notória é velada no local. Apenas oito coroas de flores, aproximadamente, que não davam a noção do peso histórico que tinha o pioneiro para a Cidade.
Um dos que estranhavam o fraco comparecimento durante o velório era outro pioneiro, Raul Piccinin, que chegou a Cidade em 1937. Ele conhecia os Godoy desde os primeiros tempos de Londrina. ‘‘O rastro deixado por Álvaro e Olavo está por toda lugar, na Mata, na fazenda. Ele era um batalhador e a história de Londrina deve muito a ele’’.
Piccinin destaca também o papel que Olavo Godoy teve para a agricultura do município, segundo ele sempre baseado em padrões de integridade e honestidade. ‘‘Ele não admitia patifarias.’’
Aberlardo Barbosa de Almeida, também presente no velório, conheceu a família Godoy ainda na década de 50, época em que o irmão trabalhava na antiga sede do Banco do Brasil. Almeida conta que todos os cheques da Fazenda Santa Helena que caiam no banco eram trocados sem estudo ou autorização, tamanha a força que a família Godoy tinha na metade do século.
‘‘Na verdade eu acho que ele devia viver mais um pouco’’, lamentava o vizinho dos Godoy, João Rubens Maciel. Ele conhecia Olavo há 12 anos e sempre teve, segundo ele, uma ótima relação com o pioneiro.
O advogado João dos Santos Gomes Filho, que defende Josyê Godoy no inquérito em que ela é acusada de maus-tratos contra o pioneiro, reuniu a imprensa ontem à tarde, para falar sobre as circunstâncias da morte de Olavo Godoy. Segundo ele, no domingo, por volta de meio-dia e meio, Josyê o chamou pelo telefone celular informando que havia uma pessoa suspeita na fazenda, com uma arma na mão, e que tinha disparado um ou dois tiros. ‘‘Disse para ela ligar ao 190 (telefone da polícia) e pedir ajuda’’, conta o advogado.
A pessoa desconhecida teria sido avistada por uma auxiliar de cozinha da fazenda que, assustada, deu um grito. Neste momento, a atendente que cuidava do pioneiro foi verificar o que estava acontecendo, deixando Olavo sozinho no quarto. Neste intervalo, o pioneiro teria tentado se levantar e caiu.
João dos Santos conta que poucos minutos após o primeiro telefonema Josyê ligou novamente, avisando sobre a queda. Ela estava no apartamento que tem ao lado da casa quando ouviu os tiros; saiu em direção à casa e, chegando lá, ficou sabendo também da queda.
O advogado conta que sugeriu a Josyê levar Olavo a um hospital, mas ela temia a pessoa que teria invadido a fazenda e disparado tiros. E também por falta de condução e em função da forte chuva que caia no horário. ‘‘Ela estava apavorada.’’
João dos Santos então pediu para que Josyê ligasse para o marido, Álvaro de Godoy Júnior, para que ele os socorresse. Foi Álvaro quem chegou, quase ao mesmo tempo que a polícia, e levou Olavo Godoy para o Hospital Evangélico. Apesar da queda, o pioneiro estaria consciente, andando, e até se recusava a sair da fazenda.
No hospital, ainda segundo o que a família disse ao advogado, Olavo foi sedado com o medicamento ‘Dormonid’ injetável, e encaminhado para tomografia. O medicamento era necessário por causa da doença de Olavo. Mas o exame não chegou a ser feito: o pioneiro morreu por volta das 17 horas.

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