Cidade ecológica, Maringá enfrenta graves problemas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 02 de junho de 2003
Marta Medeiros<br>Equipe da Folha 
Maringá Autoridades ligadas ao meio ambiente já reconhecem que Maringá não pode sustentar o título de cidade ecológica diante de tanta degradação em reservas, arborizações e fundos de vale. Cartões postais do município, como o Parque do Ingá e o Bosque II, idealizados por pioneiros e que juntos formam um ''pulmão verde'' em plena área central, estão sendo consumidos pela erosão.
Também os cerca de 70 quilômetros lineares de fundos de vale da cidade estão desmatados, assoreados, poluídos por despejos clandestinos e, em muitos casos, com ocupações irregulares nas margens. Além disso, pelo menos 20 mil árvores velhas ou inadequadas para a área urbana estão condenadas e precisam ser removidas. A arborização em espaços públicos, como canteiros, ruas e praças, é composta por 90 mil exemplares, a maioria de sibipirunas.
O secretário municipal de Meio Ambiente, Eudes Januário, afirma que o momento é de ''colocar o dedo nas feridas ambientais de Maringá'' e que por isso é difícil, dentro de um ideal, classificar o município de 'cidade ecológica'. ''Comparada a outras cidades, ainda estamos bem, mas nossos problemas ambientais são sérios'', disse.
Conforme Januário, a falta de dinheiro da prefeitura impede a realização de obras imediatas. Ele estima que para a recuperação do Parque do Ingá e do Bosque II seriam necessários cerca de R$ 4 milhões. ''Temos os projetos de recuperação, mas precisamos de recursos federal e estadual'', afirmou.
As duas reservas de matas nativas e secundárias recebem toda a água pluvial da área central e de bairros vizinhos. Por causa da falta de canalização adequada, os dois locais, principalmente o Bosque II, estão tomados por crateras da erosão. Em alguns trechos da reserva, as árvores foram engolidas pelos buracos. Os projetos de recuperação visam, entre outros objetivos, canalizar a água das galerias para locais da cidade com curso natural de córregos. O Horto Florestal, outra reserva nativa da cidade também sofre com a degradação.
Para o promotor de Defesa de Meio Ambiente, Ilecir Heckert, a ''situação é gravíssima'' em Maringá. ''Em todas as reuniões que participamos, alertamos sobre a situação para que a própria sociedade motive o poder público na recuperação dos parques'', disse. Ele contou que ficou assustado com o que viu nas reservas durante uma inspeção pessoal. ''A erosão está engolindo as florestas e parece que a comunidade nem sabe disso'', afirmou Herckert. A promotoria tem duas ações contra a prefeitura com o objetivo de obrigar o poder público a recuperar o Parque do Ingá e o Bosque II.


