Cidade é considerada pacata
E a cidade virou notícia! Com população de 3.699 habitantes, conforme o IBGE (Censo de 1996), Jundiaí do Sul, a exemplo do que ocorre com a maioria das pequenas localidades do interior do Estado, raramente teria a chance de ganhar destaque inclusive nos noticiários internacionais. Infelizmente, por força de um acontecimento ruim.
A cidade é calma, inclusive em dias de semana e em pleno horário de funcionamento do comércio. Ainda se vê na área central pessoas descansando na varanda. O dono de um bar, encostado na porta do estabelecimento, observa o movimento da rua e da praça em frente. Que movimento? Cerca de três semanas depois do conflito entre sem-terra e fazendeiros, na zona rural de Jundiaí do Sul, parece que um furacão passou longe e nem balançou as árvores da praça.
Há dois meses delegado de polícia, Adir Rosa, na verdade um assistente de segurança colocado no cargo, confirma que o clima na cidade é de absoluta calma e tranquilidade. O delegado diz que inclusive no acampamento montado na margem da PR-218, rodovia que liga Jundiaí do Sul a Guapirama, as famílias de sem-terra envolvidas no conflito estão quietas.
Está tudo calmo, porque muitas famílias já deixaram o acampamento, informa. Não é o que dizem algumas das famílias. Segundo elas, o grupo continua unido, embora sentindo a ausência dos líderes presos em Londrina. Acontecimento que tem por aqui é o de rotina, como bebedeira e briguinhas, insiste o delegado.
O episódio - O confronto entre os sem-terra que invadiram a Fazenda Cordilheira, em Jundiaí do Sul, e dois fazendeiros e cinco seguranças da propriedade, aconteceu no dia 6.
Segundo versão do fazendeiro Ney Mário Minardi, que estava no local apenas para dar apoio a um dos proprietários da área invadida, Aroldo Schwetzer, os seguranças estavam dentro da moradia do caseiro. Ele e Aroldo perceberam a chegada de quatro sem-terra montados em cavalos que pertencem à fazenda. Os fazendeiros teriam pedido para os sem-terra desmontarem e retornar para a área invadida a pé.
Um tiro atingiu a perna de um dos líderes dos sem-terra, que gritou. Desceram da área invadida homens, crianças e mulheres, que agrediram os fazendeiros e os seguranças. O grupo foi mantido como reféns, todos amarrados, por cerca de 4 horas.





