Cidade dos anjos
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segunda-feira, 02 de julho de 2001
Adriana De Cunto 
Alexandre, 17 anos; Amanda, 10 anos; Lucas, 7 anos. Três londrinenses com coisas em comum, apesar de provavelmente nunca terem se encontrado. Os sonhos de crianças e de adolescente povoavam a mente. Estudantes, as preocupações com as provas e a escola. Jovens, tinham o futuro pela frente não fosse uma trágica coincidência: os três morreram no último final de semana, vítimas de acidentes de trânsito.
Os irmãos Amanda e Lucas foram atropelados no sábado, na Avenida Inglaterra, zona sul de Londrina. Cumpriam o dever de casa, cruzando a rua na faixa de pedestre. Mas as riscas brancas paralelas no asfalto, por onde os soldados que fazem palestras nas escolas públicas disseram que é o lugar certo para atravessar, não foram suficientes para lhes assegurar a vida. Nem o semáforo, de três tempos, instalado no cruzamento, ofereceu alguma garantia.
Alexandre morreu carbonizado, no domingo, quando disputava uma prova no Jeep Raid do Faroeste, na Estrada do Limoeiro, em Ibiporã (13 quilômetros a leste de Londrina).
Entre as famílias das vítimas, até há poucos dias, provavelmente, pouca coisa em comum. Mas no último final de semana, as mães despediram-se dos filhos que saíram de casa sem imaginar que seria a última vez que os veriam com vida.
O trânsito de Londrina e região já provocou a morte de muita gente. Quando a tragédia envolve crianças e adolescentes, a dor reflete aguda até mesmo para os desconhecidos. O londrinense acordou ontem comovido e revoltado. A cidade não quer mais que o seu trânsito transforme jovens em anjos. Não quer mais ver carros transitando em alta velocidade pelas ruas. Nem semáforos que servem apenas automóveis. A população questiona por que há tão poucos semáforos com o quarto tempo para os pedestres atravessarem?
A cidade não está esperando notícia sobre a classificação e continuidade do Jeep Raid do Faroeste, motivo da formação de uma comissão pelos organizadores da prova. Londrina quer saber que medidas de segurança a organização tomará para que outras tragédias como essa não voltem a acontecer. O céu precisa de anjos. A Terra, de cidadãos conscientes.


