Cidade deve decidir sobre antenas
As torres de telefonia fixa e celular devem ser construídas em local afastado de áreas residenciais. A recomendação é do físico e professor titular da faculdade de engenharia elétrica da Universidade de Campinas (Unicamp) Vitor Baranaukas, que esteve ontem em Londrina. O físico foi convidado pela Associação de Moradores do Jardim Alcântara e Vale do Reno (zona sul), para participar da primeira audiência pública sobre instalação de antenas de telefonia, realizada ontem à noite na Câmara Municipal.
Baranaukas defende a criação de leis municipais próprias para reger a construção de antenas fixas e celulares. A própria cidade é que decide se quer qualidade ou degradação de vida aos seus habitantes, argumentou o físico. Ele explicou que existem estudos vastos sobre os efeitos de radiação. Como não há legislação específica, as empresas vão instalando as antenas e usando as pessoas como cobaias, alertou.
De acordo com Baranaukas, são as empresas que contribuem para a polêmica acerca do assunto. As antenas podem até ser inócuas, mas são as empresas que têm que esclarecer as dúvidas da população, disse. O físico acredita que, com a desinformação as companhias telefônicas estão investindo no próprio prejuízo. Segundo Baranaukas, as empresas podem ser responsabilizadas pelas doenças adquiridas por pessoas que residem próximo às torres. Pessoas que usam marcasso, ou que sofram de arritmia cardíaca estão mais expostas às complicações, informou.
Os aparelhos celulares e as antenas não seguem as normas recomendadas pela Organização Mundial de Saúde, de acordo com Baranaukas. Devido à concorrência acirrada no setor, as empresas aumentam a potência do aparelho, comentou o físico. As torres também são instaladas sem os devidos cuidados. As placas no local devem trazer os nomes dos engenheiros e as precauções para se evitar acidentes. Colocar uma placa com uma caveira assusta, mas não informa nada.
Londrina pode ter a chance de ter uma legislação bem melhor do que as de outras cidades brasileiras. Para tanto, a população precisa analisar o que quer. Pode-se ter uma telefonia de qualidade sem expor a população a riscos, disse Baranaukas. Em Washington, nos Estados Unidos, segundo o físico, as torres ficam em lugar afastado. Lá, os telefones, desde outubro deste ano são vendidos em caixas com tarja vermelha.
Na opinião do doutor em engenharia elétrica José Thomaz Senise, do Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano do Sul, a celeuma em torno de torres de telefonia é causada por aspectos econômicos. A desvalorização de áreas próximas às torres é fundamental, garantiu. O alto preço e a ignorância sobre o funcionamento da telefonia proporcionam a polêmica entre a população, assegurou Sesine, que veio a Londrina a convite da empresa Global Telecom, para participar da audiência pública na Câmara. A Global tem nove antenas de telenone celular na cidade.
Segundo Sesine, não há perigo de incidência de câncer em pessoas que residam próximo às torres. Falando sobre antenas de celular, o engenheiro recomendou que a população confie nos dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Sesine afirmou que a OMS acompanha o desenvolvimento de pesquisas mundiais e, segundo ele, não há efeitos nocivos à saúde humana. O engenheiro defende a criação de legislação federal para regular a instalação de torres de telefonia.





