Ladrão, correria, Terminal Urbano, polícia sem farda, bala perdida, vítimas indefesas, sangue, Siate, morte. Perplexidade. A trágica história vespertina faz soar o alarme da indignação e, chocada, a cidade começa a pensar o que fizeram com ela. O medo cresce junto com o desemprego, com a imobilidade econômica, com a dívida social. A terra pacata ficou para os livros de história. Em seu lugar, foi edificada um monte de concreto, recheado de conflitos e coberto de injustiças. Esta nova cidade se tornou vigilante e desconfiada de si mesma. Produz imagens intrigantes. Um senhor e um cão são arregimentados por um comerciante indefeso. E ficam em frente ao estabelecimento todos os dias. E não lamentam não poder ter tempo, espaço e coragem para fazer coisas mais interessantes. A nova cidade recusa passeios ao ar livre, divertidos e descompromissados. A inocência está perdida. O velho homem e o cão bonachão já sabem disso. (Lúcio Flávio Moura)

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