Josoé de CarvalhoExplicaçãoO professor Italmar Navarro: ‘Gambá encontra alimento na cidade’‘‘O gambá é um dos animais mais primitivos da Terra, com milhares de anos, e por isso teve grande adaptação na Cidade.’’ Quem explica é o professor Italmar Teodorico Navarro, da área de Saúde Pública e Zoonoses da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Segundo ele, o gambá, assim como a coruja e o morcego, por exemplo, são conhecidos como animais ‘‘sinantrópicos’’, que saem de seu habitat natural e passam a conviver entre seres humanos. ‘‘São os favelados da cidade.’’
A causa desse fenômeno, segundo ele, tem duas vias. De um lado o desmatamento acelerado destruiu a possibilidade de sobrevivência desses marsupiais no campo. De outro lado, a consciência de preservação que se criou hoje na cidade, onde praticamente não existe mais a caça indiscriminada de pássaros. Isso fez atrair, num primeiro momento, muitas espécies; em seguida, alguns de seus predadores.
‘‘Hoje é mais fácil encontrar frutas e insetos na cidade do que no campo, criando um ecossistema próprio’’, diz o professor. Para o gambá, a situação ficou ainda melhor. Ele se alimenta de frutas, larvas, insetos e filhotes de animais, que existem em abundância na cidade. E seus predadores naturais, gatos e cães, praticamente não atacam porque são domesticados e alimentados pelos seus criadores.
Arquivo FolhaEi-loO gambá: marsupial bastante primitivo e ‘favelado’ de má fama
Em resumo: na cidade o gambá tem abrigo e alimento de sobra, sem que haja grandes ameaças para sua sobrevivência. Italmar Navarro considera essa situação como um desequilíbrio, mas para ele não será necessário um programa específico para diminuição desses animais. No máximo um controle mais apurado. ‘‘Esse crescimento é auto-limitado. Na hora em que começar a incomodar muito as pessoas vão reagir e o número acaba diminuindo.’’
O professor diz também que a pessoa que encontrar em casa o gambá, ou qualquer outro animal silvestre, pode até tentar capturá-lo. Mas sem nunca colocar a mão no animal, já que eles podem ser portadores de diversas doenças, como a leptospirose.
Navarro alerta também que, em caso de captura, quem deve ser acionado é a Autarquia Municipal da Saúde, e não o Ibama ou a Polícia Florestal. ‘‘Dentro do perímetro urbano é responsabilidade da saúde pública.’’
(Lúcio Horta)

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