Curitiba



Albari Rosa


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Kraw Penas


PrejuízosEfeitos mais desastrosos do temporal foram registrados no bairro Novo Mundo, onde seis barracos construídos à beira de um córrego desabaram, deixando 35 pessoas desabrigadas (acima). João Zagoneu Santos observa de seu barraco o riacho que passa em perto (meio). No Centro, árvore ao lado do prédio da reitoria da UFPR também foi derrubada

As consequências do temporal que atingiu Curitiba na tarde de terça-feira ainda afetam a vida de muita gente. Telhas foram arrancadas pelo vento, cerca de 150 árvores caíram e pelo menos seis casas desabaram, deixando prejuízos materiais e várias famílias desabrigadas. Problemas na rede elétrica prejudicaram o abastecimento de água em algumas regiões, onde o fornecimento só será normalizado hoje.
Foram 24 milímetros de chuva (o equivalente a cerca de 20% da média pluviométrica do mês), acompanhada de ventos com velocidade de 71 quilômetros por hora. Os efeitos mais desastrosos foram registrados num conjunto construído à beira de um córrego, na Rua Visconde do Cerro Frio, no bairro Novo Mundo. Seis casas não resistiram e desabaram, deixando 35 pessoas desabrigadas, segundo a prefeitura.
O pedreiro João Valdemir Alves da Silva, de 28 anos, teve sorte porque não havia ninguém em casa na hora do temporal. Quando chegou do trabalho, Silva encontrou destruído o barraco de madeira que construiu há seis anos, quando participou da invasão da área. O pedreiro distribuiu pelas casas dos vizinhos os pertences que conseguiu salvar e foi se abrigar no Liceu de Ofícios Vila Leão, no Portão, onde a prefeitura está atendendo as famílias atingidas.
O desabamento é uma ameaça para várias outras casas na mesma área. O servente de pedreiro Benedito Fernandes, 37 anos, mora em situação de risco com a mulher e quatro filhos, num barraco construído praticamente dentro da água. Em outro, o catador de papel José Pedro da Silva já empacotou todos os pertences, prevendo a necessidade de sair a qualquer momento.
O temporal causou destelhamentos em várias regiões. Um pinheiro de 15 metros de altura caiu sobre a garagem de uma distribuidora de bebidas no Seminário, derrubando também um poste de luz. A dona, Rosimeri Dargel, diz que havia pedido o corte da árvore à prefeitura, mas foi informada de que não seria possível por se tratar de uma árvore ‘‘histórica’’. Agora, ela pensa em acionar o município para ser ressarcida dos R$ 600,00 que vai gastar para repor o poste.
O vento e a queda de árvores e placas também afetaram o abastecimento de energia elétrica para 150 mil consumidores, entre as 15h30 e as 23 horas de terça-feira. A queda de uma linha de alta tensão paralisou por quatro horas a Estação de Tratamento de Água do Iguaçu, da Sanepar. O problema prejudicou o fornecimento de água nos bairros das regiões Norte, Central e Leste de Curitiba e parte dos municípios de Colombo, Almirante Tamandaré e São José dos Pinhais. Em alguns locais, o abastecimento só volta ao normal hoje.
A previsão da meteorologia é de tempo instável em todo o Paraná nas próximas 48 horas, com chuvas fortes nos finais de tarde. A possibilidade de novos temporais colocou a Defesa Civil em alerta. Em Curitiba, estão à disposição 74 abrigos (com capacidade para 10 mil pessoas), 32 ambulâncias e 400 veículos de pequeno porte. A prefeitura também montou um plano especial de limpeza do sistema de dragagem, incluindo mais de 50 quilômetros de rios e córregos e milhares de bocas-de-lobo.

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