A cidade tem 82 empresas cadastradas na CMTU. Destas, 38 integram a Associação do Transporte Escolar de Londrina. Criada em 1986, a associação trouxe mais agilidade ao transporte ao organizar as empresas em regiões de atuação, fazendo com que uma criança precise passar até no máximo 45 minutos dentro da van ou microônibus. ''Tem mãe que precisa que a gente demore um pouco para levar o aluno para casa. Já levei criança para esperar na minha casa porque na casa dela ainda não tinha ninguém'', conta Marlene Petrachim, presidente da Associação.
Segundo o coordenador de espaços públicos da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina (CMTU), Luciano Daschevi, os permissionários costumam cumprir com todas as exigências. Por outro lado, os motoristas do transporte escolar reclamam das condições do trânsito na cidade.
Para a presidente da associação, que trabalha com transporte escolar há 35 anos, dirigir um veículo cheio de crianças hoje em dia ''é uma aventura''. ''Não passamos mais em determinados pontos, porque tem lugar que em uma semana houve duas batidas com mortes. Além disso, tem porta de escola que é um desafio total'', enumera, citando como exemplo a entrada do Colégio Estadual Vicente Rijo.
''Não temos estacionamento em frente aos colégios, o que nos obriga às vezes a parar em fila dupla. É errado, mas qual a outra solução se não tem lugar para a gente?'', afirma Wilson Teixeira, acrescentando que não é possível expor o aluno a riscos deixando-o na esquina, ou do outro lado da rua. ''O pior são os outros motoristas, que buzinam, fazem gestos obscenos, xingam. Você liga a seta e precisa colocar a mão para fora pedindo para deixarem passar. Nós deveríamos ter prioridade, por ser transporte escolar'', sugere.
Todos os veículos das empresas permissionárias precisam passar por uma revisão duas vezes por ano, na qual são avaliados itens como segurança, higiene, conforto, sinalização e condições de pneus, portas, vidros, travas e outros. O transporte só é permitido no percurso da casa para a escola, da educação infantil à universidade, desde que o estabelecimento seja reconhecido pelo MEC. Quando o transporte é de crianças, é exigida a presença de um monitor dentro do veículo, para auxiliar na acomodação, embarque e desembarque do aluno.
''A concorrência ilegal de vans não credenciadas dificulta nosso trabalho'', comenta a motorista Alice da Silva Sodré. Contratar uma empresa dessas por um preço mais barato, porém, não compensa os riscos maiores a que os estudantes são submetidos, já que não há um acompanhamento e uma fiscalização tão rigorosos nesses casos.
Segundo o coordenador de espaços públicos da CMTU, é pequeno o número de ilegais, e, ao receber uma denúncia de irregularidade, imediatamente é feita uma fiscalização. ''Se for constatada que a empresa é realmente irregular, os agentes municipais aplicam as penalidades cabíveis'', afirma, lembrando que todos os veículos que não são cadastrados pela CMTU são clandestinos. O permissionário que não comparece à vistoria também corre o risco de ter seus direitos cassados, e fica sujeito à multa. Já para que novos permissionários sejam cadastrados, é preciso realizar primeiro um estudo avaliando os pedidos de pessoas que não encontram vagas nas vans.
Daschevi recomenda que os pais ou estudante que forem contratar o serviço confiram se o veículo passou pela vistoria dentro do prazo, o que pode ser confirmado através de um cartão plastificado. ''Observe também se o que foi concordado no contrato corresponde ao dia-a-dia. Se não, exija seus direitos'', sugere.

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