Cidade começa a ganhar novas praças
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quinta-feira, 02 de dezembro de 2004
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Nas ruas do centro de uma cidade as praças funcionam como uma espécie de oásis para quem anda longas distâncias a pé. Nos bairros, elas são capazes de estimular a convivência entre os moradores. O difícil, porém, é encontrar nestes espaços públicos a conservação e a segurança necessárias para sua utilização. Nos últimos meses os londrinenses tiveram uma grata surpresa. Pelo menos duas das praças da Área Central ganharam cara nova: a Marechal Floriano Peixoto (também conhecida por Praça da Bandeira), ao lado da Catedral, e a 15 de Novembro, na Rua Quintino Bocaiúva.
Depois de meses de reformas e atritos com os artesãos que ocupavam o local, a Floriano Peixoto ganhou iluminação, floreiras, bancos e piso novos, além de rampa de acesso. No total, o projeto consumiu quase R$ 200 mil, e foi um dos poucos bancados exclusivamente pelo município. Outras revitalizações já realizadas ou em andamento contam com recursos de empresas, entre elas a Sercomtel. No início do ano passado a empresa concluiu as reformas da praça 7 de Setembro, na esquina das ruas Piauí e Professor João Cândido e, atualmente, faz os últimos retoques na praça 15 de Novembro.
A reforma do Bosque também conta com a participação da Sercomtel, que pretende investir R$ 240 mil no local. A projetista da área de infra-estrutura da operadora, Norma K. Higashi, lembra que existe ainda um projeto de revitalização da praça Rocha Pombo, ao lado do Museu de Arte, já encaminhado à Coordenadoria do Patrimônio Cultural, em Curitiba, que deve aprovar as reformas por tratar-se de bem tombado (leia mais nesta página).
Atualmente, o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (IPPUL) tem 69 projetos de revitalização de praças prontos ou em andamento, que entrarão na fila para recebimento de recursos em 2005. Os projetos contemplam praças localizadas tanto na área urbana como rural, e incluem desde simples reformas até implantação de equipamentos urbanos, como iluminação, jardins e bancos. De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, não é possível estimar o valor total dos projetos porque alguns ainda não foram concluídos e todos deverão passar por processo de licitação.
Burocracias à parte, praça bem cuidada é sempre bem-vinda pela população. Para a diarista Maria Elias da Silva, de 56 anos, as benfeitorias na praça 15 de Novembro vieram na hora certa. ''Agora é a época dos netos virem passar férias comigo, e como esta é a praça do Centro que fica mais perto do Terminal, costumo vir passar as tardes com eles aqui.'' Maria mora no Conjunto Hilda Mandarino (Zona Norte) e há anos frequenta o local. ''Tem um tio meu que é funcionário aposentado da prefeitura e durante muito tempo trabalhou como segurança aqui.'' Na última segunda-feira ela levou a neta Nathyelli e a filha Cleide Ventura da Silva, que moram em Bauru (SP), para passear no local.
O porteiro Américo Salvador, de 47 anos, também elogia as reformas. ''Antes era uma sujeira, ninguém parava aqui. Agora está mais confortável'', diz. A praça é ponto de parada de Salvador no intervalo entre a escola e o início da jornada de trabalho. ''Costumo sentar aqui para estudar um pouco.''
Para o arquiteto Paulo Bombassaro, a importância da preservação das praças como áreas de convivência social é incontestável. Mas não é só isso. Ele lembra que as praças servem ainda para a preservação do verde e algumas espécies animais, ventilação, infiltração da água da chuva e valorização dos imóveis da região. ''Sempre imaginamos que desenvolvimento é apenas erguer prédios. Mas tão ou mais importante que a 'concretização' é a preservação dos vazios urbanos.'' Bombassaro lembra que em alguns países desenvolvidos prédios chegaram a ser demolidos para dar lugar a espaços abertos.
O arquiteto ressalta também a importância de desenvolver na população a importância de conservar as praças. ''É preciso ter em mente que a responsabilidade por manter estes espaços não é apenas do poder público. A comunidade também pode ajudar'', diz Bombassaro.


