Nas imobiliárias da cidade, a ocupação do campo por empresários, médicos e outros profissionais, que não os agricultores, encontra duas explicações bem distintas. Uma é mesmo a da busca pela tranquilidade. A outra vai um pouco mais longe e fala sobre o próprio progresso de Curitiba. Ou seja, não seriam as pessoas que estariam correndo em busca de propriedades no campo, mas sim a cidade que estaria chegando até onde antes era zona rural.
Quem defende a idéia é o diretor da Bens de Raiz Administrações e Participações, Plínio Gonzaga Filho. Segundo ele, a zona rural está passando apenas a ser mais uma opção de habitação, uma vez que está situada praticamente dentro da cidade.
‘‘É só analisarmos o caso da região de Umbarᒒ, diz o empresário. ‘‘Antigamente ela era considerada muito longe. E hoje é super fácil chegar até lá. Apenas a impressão é de que se está fora da cidade por causa das propriedades antigas existentes’’.
Já na defesa pela teoria da busca acentuada pelo campo, o corretor de imóveis Valdemir Pontes, da Imobiliária Nobre, fala sobre distâncias intermediárias. Para ele, o que antes era considerado longe do centro já foi destinado à construção de favelas e prédios da Cohab. ‘‘Por isso, quem pode e tem dinheiro está indo cada vez para regiões mais afastadas’’, completa Pontes.
Assim, segundo ele, quanto maior a distância do centro, mais procurado o lugar, o que faz inclusive com que subam os preços. O que antes era vendido por alqueire, agora muitas vezes é vendido por metro quadrado. Uma propriedade de três alqueires, ou de 72.600 metros quadrados na localidade de Bateias, um pouco adiante de Campo Magro, não sai por menos de R$ 80 mil.
Mesmo assim, muita gente ainda aposta em investimentos como os condomínios familiares rurais. Foi atrás de tranquilidade, contato com a natureza e também economia, que o delegado chefe da divisão de segurança e informações da polícia civil de Curitiba, Ricardo Kepes Noronha, também foi morar na região de Campo Magro.
Com a família, ele abandonou o bairro de Santa Felicidade, há quinze anos, e passou a dividir uma propriedade com cerca de um alqueire e meio. Hoje, já são dez alqueires, onde moram também os pais e os irmãos dele.
‘‘Somos em quatro famílias’’, explica ele. ‘‘E isso faz com que sejam reduzidos, por exemplo, os custos com a manutenção da propriedade. Temos galinhas, peixes, patos e um boi, que quando a gente mata, compra outro. E isso a apenas 17 kilômetros da cidade. É muito mais barato do que comprar qualquer outro terreno no centro. Economizamos com a alimentação e ainda temos qualidade de vida’’.

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