Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, Curitiba é a recordista nacional em acidentes de trabalho. No último ano, a cidade teria tido mais vítimas do que a soma de todas as outras capitais do País juntas, ou 7.400 acidentes com 116 vítimas fatais.
‘‘A média nacional é de 77 mortes para cada dez mil acidentes, o que prova que Curitiba está acima da média nacional’’, disse o diretor de Saúde do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba, Núncio Manala, que culpa o governo pela situação. ‘‘A única responsabilidade disto é a displicência da Secretaria Estadual da Saúde, que abandonou a situação’’, afirma ele.
O chefe do Serviço de Segurança e Saúde do Trabalhador da Delegacia Regional do Ministério do Trabalho, Alberto Lorenzetti, disse desconhecer os dados do sindicato, mas confirma o número de óbitos. Ele disse que entre os anos de 1994 e 1995 houve uma redução de 35% nos acidentes de trabalho em Curitiba.
Elisa Souza, médica do trabalho do Centro Metropolitano de Assistência ao Trabalhador (Cemast), órgão ligado à Secretaria Estadual da Saúde, disse não entender a acusação do sindicato, já que este trabalha em parceria com o Cemast. ‘‘Se somos displicentes eles são coniventes conosco’’, disse.
Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, várias falhas na legislação prejudicam o trabalhador. ‘‘Existem legislações com abrangência municipal, estadual e federal. Todas são extensas e nenhuma é cobrada’’, denuncia Manala. Ele cita como exemplo a questão da proteção auricular (dos ouvidos), que não estaria sendo cumprida pelas empresas. ‘‘60% dos cem mil trabalhadores da indústria metalúrgica local apresentam problemas de audição’’, explica.
‘‘Muitas vezes a questão é justificada pelo fato do trabalhador se recusar a usar o equipamento de segurança e isto não é verdade’’, afirma Manala. ‘‘Todas as condições de trabalho são muito ruins, as máquinas são ultrapassadas e não há fiscalização do Estado sobre estas questões’’.
A médica do Cemast afirma que o Estado realiza a fiscalização periódica das empresas. ‘‘Além de trabalharmos seguindo denúncias, ainda realizamos um serviço constante de orientação e treinamento nos locais de trabalho mais propensos aos acidentes’’.
O técnico do Ministério do Trabalho disse que a Secretaria da Saúde, segundo a legislação, não tem poder de fiscalização, mas apenas de orientação e tratamento dos trabalhadores. ‘‘O trabalhador está abandonado e desnutrido, totalmente sem tratamento’’, disse Lorenzetti. Segundo ele, o ministério prioriza os setores da metalurgia e construção civil, onde mais tem ocorrido acidentes, durante as fiscalizações.

mockup