Cidade argentina deve adotar Ligeirinho
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 02 de junho de 1997
De Curitiba 
Arquivo FolhaAdaptaçãoEm Moron, o sistema de Ligeirinhos deverá transportar 500 mil passageiros por dia, com paradas a cada 500 ou 600 metros num trecho de 21 quilômetrosA cidade argentina de Moron, na Região Metropolitana de Buenos Aires, deverá ser a primeira a implantar um sistema de ônibus semelhante ao Ligeirinho de Curitiba, com paradas mais espaçadas e utilização de estaçõestubo. Os entendimentos para a exportação do sistema estão avançados e deverão incluir a compra de chassis, carrocerias e estações-tubo no Brasil.
O prefeito de Moron, Juan Carlos Rousselot, esteve ontem em Curitiba, acompanhado do secretário municipal de serviços públicos, Mestor Achinelli. Pela manhã, os dois conversaram com o presidente da Urbs, Fric Kerin. À tarde, tiveram uma longa reunião com a supervisora de informações do Ippuc, Liana Valicelli.
Rousselot, que ocupa a Prefeitura de Moron pela terceira vez, explica que o interesse pelas soluções curitibanas para a área de transportes começou há quatro anos. Técnicos locais já estiveram em Curitiba e um grupo do Ippuc também já foi a Moron para um diagnóstico da situação.
Moron, com 461 mil habitantes, fica a 18 quilômetros de Buenos Aires e, segundo o prefeito, sofre com as deficiências do transporte coletivo. Na busca de melhorias, a prefeitura cogitou, entre outras soluções, adotar um sistema de elevados semelhante ao de Porto Alegre. Mas vimos que se Curitiba, com o triplo de habitantes de Moron, não precisa desse tipo de transporte, o Ligeirinho seria uma solução mais adequada e barata, afirma Rousselot.
O projeto da cidade argentina consiste no fechamento de um circuito de 21 quilômetros, formado por avenidas comerciais importantes. Dentro de oito meses a prefeitura deverá concluir a pavimentação dos trechos ainda não asfaltados e no prazo de um ano espera colocar o novo sistema em funcionamento.
O sistema de Ligeirinhos em Moron deverá transportar 500 mil passageiros/dia, com paradas a cada 500 ou 600 metros (em Curitiba, os intervalos vão de 800 a 3 mil metros). Além de velocidade, a prefeitura também quer ganhar em capacidade e por isso utilizará ônibus articulados, com capacidade para 160 passageiros.
A idéia é criar uma tarifa única para o circuito. Segundo Rousselot, ele foi concebido como um circuito básico, que mais tarde deverá ser cortado por outros eixos. A meta é alcançar a integração com os sete municípios metropolitanos, a exemplo do processo em curso na Região Metropolitana de Curitiba.
O prefeito não informou o total de investimentos previstos, mas disse que já tem financiamento garantido de instituições do Canadá e Estados Unidos. A intenção é equipar o sistema comprando dos mesmos fornecedores de Curitiba: chassis Volvo, carrocerias Marcopolo e estações-tubo Brafer. Estima-se que serão necessários de 30 a 40 ônibus e 60 estações.
Segundo Liana Valicelli, do Ippuc, a assessoria prestada pelo órgão à Prefeitura de Maron é uma cooperação técnica. Serão pagos royalties apenas pela utilização das estações-tubo.


