Paulo Ubiratan
De Londrina
Ontem pela manhã ocorreu um fenômeno em Londrina, que não estava nas cartas do tempo expedida pelo Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar). Por volta das 7 horas, cobriu a cidade uma densa neblina que chegou a causar espanto às pessoas que saíram à rua.
Ela veio de mansinho e aos poucos tomou conta de tudo. A escuridão obrigou os veículos a acenderem as luzes e as pessoas a andarem com mais cuidado.
O meteorologista Tarcízio Valentin da Costa, do Simepar, disse que a nebulosidade foi causada por uma frente fria com pouca atividade.
A sua previsão anterior era de chuvas mas a calmaria produziu estabilidade na atmosfera e a chuva não caiu. À tarde, no entanto, de Curitiba, quando Tarcizio afirmava definitivamente que ocorreriam pancadas de chuvas, elas já lavavam em enxurradas as ruas de Londrina. Naquele momento Tarcízio acertava definitivamente.
‘‘Errar é humano, mas persistir no erro é burrice’’. Este velho ditado tornou-se uma constância nas alegações finais dos meteoroligistas, quando o tempo teima em não cumprir com as suas quase infalíveis previsões. Chove. Não chove. Faz frio. Faz calor. Venta. Não venta. Tudo isto é possível acontecer e prever, se algo mais não acontecer durante a noite ou durante o dia. Meteorologia é serviço para louco consciente, dizia o romancista francês Anatole France, em um dos seus contos sobre um meteorologista parisiense, conhecido como Bouchet. Com uma sátira aos moldes do bom francês, Anatole contou que para o povo saber se precisava sair de galocha e guarda chuva em Paris, bastava agir ao contrário das previsões de Bouchet. Na maioria das vezes, quando ele previa sol, chovia. Quando dizia que chovia, fazia um sol.
Bouchet dizia que tecnicamente ele acertava mas não podia prever as misteriosas leis da natureza. A história conta que ele se desgostou da ingrata profissão e acabou morrendo como atendente de balcão de uma velha padaria em bairro pobre de Paris.
Dizem que meteorologista é função para quem gosta de andar em corda bamba e ser criticado toda a vez que erra ou mesmo quando acerta. Se ele erra a crítica se fundamenta na incompetência e se acerta vão dizer que foi por pura sorte. Os críticos mais satânicos compararam as previsões meteorológicas com cabeça de juiz e ‘‘bum bum’’ de criança, por serem imprevisíveis. De uma imprevisível mudança atmosférica restou ontem a cena para uma bela fotografia, que registrou para a história como ficou o centro de Londrina.

mockup