Dia de trabalho ou estudo perdido, dor nas costas de tanto esperar em pé, sono por acordar de madrugada, paciência no limite. Por um motivo ou por outro, o sentimento comum aos cidadãos que têm enfrentado as filas do Instituto de Identificação de Londrina (Centro), é a indignação. Quem chega às 5 da manhã só consegue senha quatro horas depois; os que aparecem por volta das 8 horas correm o risco de só ir embora no final da tarde.
''Que pobre nasce para ficar em fila a gente já sabe. Mas até para uma instituição pública isso tá muito demorado'', manifestou ontem a agente de saúde Maria Aparecida Gonçalves, 38, que chegou às 6h10 ao instituto para providenciar a carteira de identidade (RG) do filho e se ausentou quase toda a manhã do trabalho. Ela denunciou que vários usuários, incluindo idosos, ficaram sob a chuva no início da manhã porque o órgão não abre as portas antes das 9 horas.
Mesmo a primeira pessoa da fila, como foi ontem a dona-de-casa Vandira Coronado, 53, é obrigada a aguardar por um bom tempo depois de entrar no órgão. Isso porque os poucos funcionários que atendem o público no Instituto de Identificação gastam a primeira hora do expediente apenas distribuindo senhas e prestando informações para as dezenas de usuários que se acumulam do lado de fora. ''É um absurdo. Cheguei às 5 horas e nem sei quanto tempo mais vou ficar plantada aqui. Pelo menos eles podiam dar as senhas antes de abrir e liberar o pessoal para tomar um cafezinho'', protestou Vandira.
Dentro do instituto, faltam acomodações. Num instante a dúzia de cadeiras está lotada e gente como a aposentada Alzira Felisbino, 70, tem que esperar em pé. ''Espero que eu tenha mais sorte do que minha filha. Quando ela veio, ficou aqui das 8 até quase 17 horas'', lembrou. Com tanta demora, muitos acabam desistindo. Depois de passar duas horas na fila e ser solicitada a voltar somente às 15h30, a agricultora Neide Braga da Silva, 35, perdeu a paciência. ''Moro na Usina Três Bocas, vim de ônibus, não tenho condições de ficar esperando. Vou me preparar para voltar outro dia, mais cedo'', disse. Ela havia chegado às 7h30.
Funcionários do órgão comentaram que as filas se devem à grande procura de carteiras de identidade por pais de alunos. Uma lei estadual sancionada no ano passado tornou obrigatória a apresentação do documento para matrícula em escolas públicas. Como vários colégios iniciaram ou estão se aproximando do período de matrículas e transferências, pais e alunos têm pressa em providenciar os RGs.
A reportagem da Folha tentou conversar ontem pela manhã com a diretora do instituto em Londrina, Edelma Mendes dos Anjos, e com o diretor geral, Luiz Fernando Artigas, em Curitiba, mas recebeu a informação de que ambos estavam ausentes.

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