Cidadão comum é refém do medo
Para o mestre em sociologia do Departamento de Direito da Universidade Norte do Paraná (Unopar), Márcio Saviani, os casos relatados são sinais da fragilidade do sistema de segurança pública e da falta de investimento na prevenção do problema. A crise econômica, o aumento da violência e a falta de confiança da população na polícia, argumenta ele, estão deixando o cidadão comum refém do medo.
''Apesar da violência não atingir diretamente toda a população, todo mundo está com medo e se sente ameaçado'', afirma. ''Por isso você acaba desenvolvendo ações preventivas, você dá dinheiro para o flanelinha porque tem medo''.
Na opinião de Saviani, a estrutura policial atual é arcaica. ''A polícia não pode ter esse caráter violento e autoritário que, acredito, tem mudado nos últimos anos, mas ainda convivemos com o efetivo das décadas de 80 e 90'', comenta, referindo à falta de renovação do quadro de policiais. É esse comportamento violento e negligente que estaria fazendo com que a comunidade desconfiasse da polícia. ''A sociedade chama e a polícia não vem por causa de problemas estruturais diversos e isso reforça a visão de que a polícia não liga'', diz.
Ele frisa, no entanto, que o problema da segurança têm que ser discutido em outras frentes. ''O Estado devia visualizar mais a causa dos delitos. A polícia só pode correr atrás dos efeitos. Proibir a ação dos flanelinhas ou prendê-los não vai resolver o problema''. Para ele, um dos mais preocupantes subprodutos da violência é a estigmatização das classes mais baixas. ''A classe média alta pensa que se coloca o pé na periferia, já corre o risco de morrer; isso está fazendo com que o pobre fique cada vez mais apartado da sociedade''.





