Campo Mourão (Centro-Oeste) recebeu este nome devido aos campos de cerrado, que existiam há mais de 7,2 mil anos na região. O município chegou a ter 102 km² do bioma cerrado, no entanto aos poucos a vegetação foi sendo derrubada. Atualmente, existe apenas 1,3 km² de cerrado preservado, restrito à estação ecológica do Cerrado de Campo Mourão Professora Diva Aparecida Camargo. Trata-se da menor estação ecológica do Sul do Brasil. Essa área, que já está dentro do perímetro urbano do município, equivale ao tamanho de um campo de futebol.

Imagem ilustrativa da imagem Cidadania/Cidades - Cerrado de Campo Mourão em risco
| Foto: Mayara Reis Monteiro/ Divulgação



A unidade de conservação, criada em 1987, possui centro de visitantes e laboratório de pesquisas, além de um herbário com amostras da vegetação local. A Unespar (Universidade Estadual do Paraná) tem 30 anos de comodato para administrar a área. "Aqui encontramos elementos que só são achados em regiões do cerrado de Goiás, como as árvores de pequi", destacou o professor Mauro Parolin, da Unespar. Ali também é possível encontrar a Cattleyla araguaiensis, o angico, o barbatimão e uma palmeira-anã típica do cerrado.

A estação funciona como um museu vivo desse bioma, no qual apenas pesquisadores são autorizados a entrar. Ali já foram identificadas 240 espécies de plantas, algumas bem raras. Contudo, Parolin destacou que a estação ecológica está perdendo sua característica fisionômica. "Estavam entrando espécies que não têm características de cerrado. Ali é possível achar nêsperas e frutas cítricas, que são espécies invasoras", ressaltou.

Com o objetivo de acabar com essas espécies invasoras foi realizada uma queima prescrita na estação ecológica. Além disso, o professor explicou que o cerrado é uma vegetação que necessita do fogo para a quebra de dormência de sementes.

Cerrado: é reconhecido como a savana mais rica do mundo, abrigando 11.627 espécies de plantas nativas, 199 espécies de mamíferos uma rica avifauna, com 837 espécies

Queima prescrita: o fogo rápido e superficial não causa danos, consome a vegetação morta e seca; é diferente do incêndio florestal, que é sem controle e incide sobre qualquer forma de vegetação

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