Cidadania/Cidades - Cerrado de Campo Mourão em risco
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segunda-feira, 03 de setembro de 2018
Folha Cidadania 
Campo Mourão (Centro-Oeste) recebeu este nome devido aos campos de cerrado, que existiam há mais de 7,2 mil anos na região. O município chegou a ter 102 km² do bioma cerrado, no entanto aos poucos a vegetação foi sendo derrubada. Atualmente, existe apenas 1,3 km² de cerrado preservado, restrito à estação ecológica do Cerrado de Campo Mourão Professora Diva Aparecida Camargo. Trata-se da menor estação ecológica do Sul do Brasil. Essa área, que já está dentro do perímetro urbano do município, equivale ao tamanho de um campo de futebol.

A unidade de conservação, criada em 1987, possui centro de visitantes e laboratório de pesquisas, além de um herbário com amostras da vegetação local. A Unespar (Universidade Estadual do Paraná) tem 30 anos de comodato para administrar a área. "Aqui encontramos elementos que só são achados em regiões do cerrado de Goiás, como as árvores de pequi", destacou o professor Mauro Parolin, da Unespar. Ali também é possível encontrar a Cattleyla araguaiensis, o angico, o barbatimão e uma palmeira-anã típica do cerrado.
A estação funciona como um museu vivo desse bioma, no qual apenas pesquisadores são autorizados a entrar. Ali já foram identificadas 240 espécies de plantas, algumas bem raras. Contudo, Parolin destacou que a estação ecológica está perdendo sua característica fisionômica. "Estavam entrando espécies que não têm características de cerrado. Ali é possível achar nêsperas e frutas cítricas, que são espécies invasoras", ressaltou.
Com o objetivo de acabar com essas espécies invasoras foi realizada uma queima prescrita na estação ecológica. Além disso, o professor explicou que o cerrado é uma vegetação que necessita do fogo para a quebra de dormência de sementes.
Cerrado: é reconhecido como a savana mais rica do mundo, abrigando 11.627 espécies de plantas nativas, 199 espécies de mamíferos uma rica avifauna, com 837 espécies
Queima prescrita: o fogo rápido e superficial não causa danos, consome a vegetação morta e seca; é diferente do incêndio florestal, que é sem controle e incide sobre qualquer forma de vegetação


