Cidadania substitui a humilhação em trotes da UEL
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quinta-feira, 05 de março de 2009
Carolina Avansini<br> Equipe da Folha 
Londrina - Saem o ovo e a farinha, entram a solidariedade, o aprendizado e o respeito ao meio ambiente. Na recepção aos calouros de alguns cursos da Universidade Estadual de Londrina (UEL), as práticas humilhantes foram substituídas por atividades que estimulam a interação dos novos alunos com noções de cidadania.
Entre os ingressantes dos cursos da área de saúde, um treinamento sobre como reconhecer uma emergência fatal e praticar as manobras de reanimação cardiopulmonar foi ministrado ontem para os alunos de Farmácia, Enfermagem e Odontologia. Hoje, participam os calouros de Medicina e Fisioterapia. De acordo com Elza Tokushima Anami, enfermeira do Hospital Universitário (HU) e coordenadora do centro de treinamento da instituição, o objetivo é sensibilizar para o atendimento cardíaco de emergência.
"Eles aprendem a reconhecer os sinais e sintomas de uma parada cardiorespiratória, como acionar o serviço de emergência e a realizar a reanimação cardiopulmonar. É uma forma saudável de recepcionar os novos alunos", afirmou. Os monitores são estudantes dos últimos anos de Medicina que foram treinados em curso específico para realizar a atividade.
Larissa Figueiredo, que ingressou em Enfermagem, aprovou a iniciativa do programa de recepção aos calouros. "Já começamos o curso em contato com a prática", disse ela, que achou a massagem cardíaca cansativa, mas não se assustou com a possibilidade de atender a casos reais de paradas cardíacas no decorrer do curso. "Tenho vontade de trabalhar em pronto-socorro", contou.
Aluna nova de Farmácia, Maria Thereza Carlos Fernandes gostou do primeiro contato com as técnicas de atendimento de emergência."Agora estou mais preparada para lidar com a situação de salvar uma vida."
Na região do lago Igapó IV, um grupo de calouros de Biologia realizou uma atividade cansativa, mas com nobre objetivo. Com apoio da Secretaria Municipal do Ambiente (Sema), eles plantaram 150 mudas de 35 variedades nativas. "Resolvemos fazer um trote ecológico para combater o trote violento", disse Edith Ester Zago de Mello, estudante do segundo ano de Biologia. Para ela, o plantio das árvores acabou estimulando a interatividade entre todos os envolvidos. "Todo mundo teve que participar, um acabou ajudando o outro."
A caloura Helena Viaco nunca tinha plantado uma árvore e gostou da estreia durante o trote. "Foi muito legal. Como futuros biólogos, temos que aprender a cuidar da natureza."


