Cidadania na sala de aula
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quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Michelle Aligleri <br> Reportagem Local 
Cerca de 70% dos alunos do Ensino Médio de escolas públicas de Londrina, Chapecó (SC) e Passo Fundo (RS) não sabem quais são seus direitos sociais. Setenta e oito por cento não sabem o que é a Constituição Federal, 40% não conhecem os Três Poderes, 68% não sabem o que faz um deputado estadual e 70% não têm ideia do que é democracia.
Esses números foram levantados em uma pesquisa realizada por alunos dos cursos de Direito e Pedagogia da Universidade Norte do Paraná (Unopar). Além destes dados, os graduandos, que participaram ativamente da coleta de dados, identificaram que 65% dos alunos pesquisados são a favor da inclusão de conteúdos de Direito e cidadania no currículo escolar.
O professor de Direito Constitucional da instituição, André Trindade, também é integrante da Associação Brasileira de Ensino de Direito e foi o coordenador do projeto ''Pedagogia Cidadã''. Conforme ele, o objetivo do estudo foi avaliar os conhecimentos de Direito e cidadania por parte dos alunos do Ensino Médio.
Trindade defende que as temáticas sejam abordadas em uma disciplina específica ou como conteúdo de uma disciplina já existente. ''De qualquer forma, antes de iniciar o trabalho com os alunos é preciso preparar os professores. Vamos enviar os dados do trabalho para o Ministério da Educação, para as secretarias estaduais de educação e também para a Ordem dos Advogados do Brasil'', disse.
Ele afirmou que a formação jurídica e o conhecimento de conceitos básicos sobre o tema não devem ser ofertados apenas no curso de direito, mas é necessário na formação de um cidadão mais consciente de seus direitos e deveres e preparado para a vivência em sociedade. ''Não adianta cobrar que as pessoas cumpram as leis se elas não as conhecem'', justificou o professor. Para ele, no momento em que o jovem conhece seus direitos fundamentais, ele passa a ter uma visão diferente do mundo.
O professor considera que a maioria dos jovens participa da democracia sem ter condições para tal, já que aos 16 anos estão aptos a votar, mas muitos não sabem o que faz um deputado. ''Fala-se em reforma política, mas para isso o cidadão precisa ser politizado. Ele precisa ter consciência do Estado do qual faz parte'', disse. Ele acrescentou que esse tipo de dificuldade ultrapassa o ensino médio e que muitos alunos chegam ao ensino superior sem os conhecimentos básicos de cidadania e Direito. ''Quando não se conhece os direitos, o sentimento de cidadania na sociedade se perde'', afirmou.
Outro dado que chama atenção na pesquisa é que 40% dos jovens entre 15 e 17 anos abandonam a escola por desinteresse. O professor destacou que isso acontece por que os jovens não conseguem vincular os conteúdos aprendidos na escola com aquilo que realmente utilizam no dia a dia. ''Por menor que seja a formação ministrada, esse tipo de conhecimento prepara melhor o cidadão, além de que em sala de aula o aluno vê a aplicação direta dos conceitos abordados e vincula este conteúdo com a vida diária'', explicou.
Trindade disse que a proposta de mudança na educação está fundamentada e que o primeiro passo é preparar os professores para depois levar o conhecimento aos alunos. ''Quanto mais novo for o aluno quando tiver contato com esses conhecimentos, melhor preparado ele estará ao terminar o ensino médio. Esse tipo de formação é essencial, mas para isso é fundamental formar e valorizar os professores'', finalizou.


