CIDADANIA - Notas musicais para a vida
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terça-feira, 12 de julho de 2016
Aline Machado Parodi<br>Reportagem Local
Clássica, popular, hip-hop, folclórica. Não importa o estilo. A música é uma importante ferramenta de inclusão social, de identificação com a comunidade e para o desenvolvimento valores como responsabilidade e disciplina. E pelo menos desde a década de 1980, as ONGs estão focando em projetos que inserem as crianças e adolescentes neste universo.
Em Londrina, a Academia de Música da Associação Guarda Mirim e a orquestra da Associação Solidariedade e Sempre (ASS) são dois projetos sociais que têm na vivência musical a base para moldar cidadãos. Esta semana, os alunos dos projetos se apresentaram no 36º Festival Internacional de Música de Londrina, que ocorre até o dia 21 de julho.
Com 40 integrantes entre 8 e 20 anos, a academia da Guarda Mirim iniciou as atividades em outubro do ano passado, derivada do projeto Soprando Melodias. A intenção é formar músicos e, futuramente, implantar um curso profissionalizante. Mas além de oportunizar o aprendizado de um instrumento e despertar para uma futura profissão, os alunos da academia recebem lições que mudam suas vidas.
Um exemplo é Giovane de Ávila Araújo, de 17 anos, que entrou na Guarda Mirim em 2013 e é um remanescente do Soprando Melodias. Durante a convivência na banda, Giovane mudou completamente seu comportamento e vocabulário. "Morava em comunidade. Morei em vários lugares como o Jamile Dequeche (zona sul) e palavrão era comum. Na Guarda isso não é permitido", recorda o adolescente que toca trombone.
Ele tinha problemas com autoridade e contou que em casa a relação com a família era fria e distante. Estranhou quando chegou na Guarda e percebeu um ambiente mais afetuoso. "O ambiente em que morava era muito pesado, os amigos usavam drogas e não queria isso para mim. O mundo da música é totalmente diferente", comentou o adolescente.
A música também mudou a vida da trombonista e monitora da Academia da Música, Adriane Miho Shimazaki, de 16 anos. Tímida e solidária, a menina começou a estudar música aos 11 anos, com aulas particulares. Depois participou da banda do Colégio Marcelino Champagnat e quando iniciou o projeto da Guarda Mirim entrou como monitora. "Gosto de ensinar as crianças, organizar as coisas e tocar. Sou tímida, mas era muito mais antes da música. Não falava com ninguém. Não gostava de contato e falar com as pessoas. A música ajudou a mudar isso", revelou Adriane.
Ela contou que como monitora está aprendendo a lidar com as diferenças. O projeto também ajudou a adolescente diminuir a solidão. "Ficava sozinha a tarde e não me sentia feliz. Não gosto de ficar sozinha."
O maestro e diretor musical do projeto, Gilberto de Queiroz, afirmou que, mais do que aprender música, a academia trabalha a socialização, valores e cidadania. "A música influencia diretamente no cognitivo da pessoa. O tímido se solta e o agressivo fica mais sociável. Trabalha a ansiedade e mudança de comportamento. Abre o universo artístico, ele seleciona mais o que ouve. É gratificante é ver o crescimento e a evolução deles", ressaltou o maestro. A apresentação no festival aconteceu nesta terça-feira, no Calçadão de Londrina.
A diretora pedagógica do Festival Internacional de Música de Londrina, Magali Kleber, enfatizou que o aprendizado da música vai trazer impactos em outras dimensões da vida das crianças. Ela desenvolve a expressividade musical, criatividade, coordenação. Exige disciplina, concentração, e no trabalho em grupo exige prestar a atenção no colega. Ela desenvolve habilidades que só a música pode desenvolver. (Leia mais na página 2)
SERVIÇO Associação Guarda Mirim de Londrina (http://www.guardamirimlondrina.org.br/ ): Rua Orestes Medeiros Pullin, 94, Aeroporto, fone (43) 3375-0532.
36º Festival Internacional de Música de Londrina - http://fml.com.br/