CIDADANIA - Formação de plateia e de músicos
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terça-feira, 12 de julho de 2016
Aline Machado Parodi<br>Reportagem Local 


Existem bons projetos sociais com foco na música em Londrina, mas de acordo com a diretora pedagógica do Festival Internacional de Música de Londrina, Magali Kleber, ainda há espaço para crescer. Na opinião dela, "a música pode incluir quando acolhe as pessoas que querem aprender música dentro de uma proposta socio-educativa, quer seja fazendo a música da cultura popular, quer oportunizando o aprendizado de uns instrumento mais clássico."
Ela defende a promoção de uma sinergia de política públicas da educação, cultura e ação social para que as ações convirjam para um mesmo caminho. "É preciso trabalhar bastante, tanto na questão das instituições do terceiro setor como das política educacionais das escolas", afirmou.
Um projeto de sucesso na cidade é o da Orquestra de Câmara da Associação Solidariedade e Sempre (ASS). Desde 2003, a entidade atende crianças e adolescentes entre 10 e 16 anos com vulnerabilidade social. A intenção é oportunizar a vivência musical e desenvolver valores como responsabilidade, solidariedade e convivência social.
Para o regente Flávio Collins Costa, a chance de participar de um projeto social com foco na música permite que essas crianças tenham contato com um universo cultural que não faz parte do seu cotidiano. "O contato com a música aproxima eles desse universo. Agora ele podem ir no concerto, ouvir música clássica. Traz esses jovens para um universo que eles estariam excluídos." Ele enfatiza que o grande diferencial é o acesso ao bem cultural e à linguagem. "Estamos formando plateia. É um processo lento de formiguinha."
Plateia e futuros músicos. Dois ex-alunos da instituição estão cursando Música na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Ingressar numa faculdade de música também é o sonho da violinista Amanda dos Santos Galdino, de 16 anos. Ela entrou na ASS cinco anos atrás e a ideia era aprender tocar piano, mas o professor lhe indicou o violino e a menina se apaixonou pelo instrumento. Amanda pensa em cursar bacharelado de Violino em Curitiba ou São Paulo. Mas o grande sonho é fazer parte da orquestra de Berlim. "É a mais importante do mundo", justifica, "mas é um sonho distante. É muito difícil. Terei que me esforçar muito".
Felipe Soares, de 15 anos, saxofonista, também está no projeto há cinco anos. "Foi um acordo entre eu e meus pais. Eu queria fazer alguma coisa para não ficar em casa sem fazer nada." A música não fazia parte da realidade do menino. "Conhecia o que tocava no rádio. A música clássica era algo novo." Era uma criança retraída, mas a partir da música passou a interagir com as pessoas e se abrir. Hoje, apesar de a música fazer parte da sua vida, ele não pretende se profissionalizar. A vontade é cursar publicidade.
Felipe, Amanda e os demais integrantes da orquestra se apresentaram na segunda-feira (11), no Teatro Zaqueu de Melo, dentro da programação do Festival Internacional de Música.
SERVIÇO: Associação Solidariedade e Sempre - Rua Ouro Preto, 77, fone (43) 3336-6645


