Simpatizante dos ideais de cidadania contra a fome e a miséria, disseminados pelo sociólogo Betinho na década de 90, o agrozootecnista Douglas Cândido da Costa sugere o plantio de árvores frutíferas para minimizar a carência da população de baixa renda e a força dos ventos.
Segundo ele, áreas ociosas, como fundos de vale, margens de rio, beiras de estrada, calçadas, praças e canteiros poderiam ser utilizados com esta finalidade. ''Com orientação e manejo adequado, podemos plantar qualquer variedade nativa'', explica Costa, que defende esta bandeira desde sua aposentadoria, em 1984.
A casa do agrozootecnista, localizada na Vila Nova (Centro de Londrina), é o melhor exemplo desta paixão pela natureza. Praticamente todos os espaços livres entre o imóvel e o portão são tomados por plantas. Jabuticabas, graviolas, goiabas, bananas, ameixas, mangas, pitangas, maracujás, palmitos e uma diversidade de flores são colhidos o ano inteiro nesse quintal. O cartão de visitas é uma jaqueira de 13 anos, incrustada na calçada, cujos frutos servem de sobremesa para a família de Costa, seus vizinhos e outros interessados. ''Não vejo problema em abrir meu portão para matar a fome e o desejo de uma pessoa'', afirmou.
A falta de apoio público e privado não desanimam Costa que, no começo dessa história, utilizou suas economias para sustentar a família e o projeto paralelamente. A divulgação na mída é o principal instrumento para disseminar sua tese. ''Felizmente, existem muitos adeptos de árvores frutíferas espalhados pela cidade e região que podemos identificar do alto dos prédios'', orgulha-se.
De acordo com Gerson Galdino, diretor operacional da Secretaria de Meio Ambiente de Londrina (Sema), o plantio de árvores frutíferas não é indicado para calçadas porque existe o risco de que as crianças subam na planta e caiam. Além disso, as espécies atraem moscas, interferem na rede elétrica e ainda há o risco de acidentes com pedras na tentativa de derrubar os frutos, e a queda espontânea, que pode atingir uma pessoa ou um veículo.
''Oferecemos orientação e mudas de plantas nativas adequadas às calçadas que podem ser solicitadas à Sema. O plantio de árvores frutíferas em fundos de vale, fora da área de preservação ambiental, praças e canteiros deve obter autorização do município para evitar aborrecimentos'', sugeriu o funcionário público.
Serviço Contatos com a Sema podem ser feitos pelo telefone: (43) 3341-9660, de segunda a sexta-feira em horário comercial ou diretamente na sede, localizada à Rua da Natureza, 155, dentro do Parque Arthur Thomas.

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