Ciclo de 9 anos preocupa pais e educadores
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terça-feira, 17 de outubro de 2006
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Pais que têm filhos que completam seis anos em 2007 estão preocupados com os efeitos da implantação do ensino fundamental de nove anos nas escolas do Paraná. Isto porque o Conselho Estadual de Educação criou a chamada idade de corte, estipulando que para ser matriculada no 1º ano, a criança tem que ter seis anos completos ou a completar até 1º de março. O temor dos pais é que aquela criança que faz aniversário a partir do mês de março - e que terá que se matricular no Pré III do sistema antigo, em vez de já entrar no 1º ano - tenha que repetir praticamente o mesmo conteúdo dois anos seguidos.
''Quando estas crianças tiverem que cursar o 1º ano isto poderá gerar uma grande falta de estímulo, o que pode atrapalhar toda a sua vida escolar'', preocupa-se a professora da Universidade Estadual de Londrina e cirurgiã dentista Elisa Tanaka Carloto, que tem um filho que completa 6 anos em agosto de 2007. Ela argumenta que ''não dá para mudar as regras no meio da caminho e prejudicar quem já está nele''.
A definição da idade de corte difere de um Estado para outro, assim como a data de implantação do sistema de nove anos, criado pela lei nº 11.114/05. A lei federal - que alterou a Lei Nacional de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) - estipulou que a implantação deve ser feita até 2010, mas o Conselho de Educação do Paraná decidiu que a mudança deve ser iniciada já em 2007.
Elisa defende que os pais deveriam ter mais opções na hora de fazer a matrícula dos filhos. ''O certo seria podermos colocar nossos filhos no 1º ano independente da idade em que fazem seis anos, como nos outros Estados. Ou então, que eles pudessem fazer o jardim III em 2007 e que em 2008 tivessem a opção de entrar na primeira série do ciclo antigo, de oito anos.'' A única brecha que o Conselho abriu até agora foi permitir que as crianças que atualmente estão no jardim III do sistema antigo e completam seis anos até 1º de março de 2007 sejam matriculadas na 1º série do ciclo de oito anos.
O presidente do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe) em Londrina, Marco Antonio de Souza, lembra que a iniciativa de manter o aluno mais tempo na escola é boa, mas as mudanças não podem prejudicar as crianças que têm acesso à escola mais cedo, como as da rede particular. ''Temos uma demanda de alunos que vêm em um processo de aprendizagem desde o maternal, que muitas vezes vive uma situação diferente da criança da rede pública.''
De acordo com Souza, o Sinepe de Curitiba já fez um pedido ao Conselho Estadual de Educação para que permita que todas as crianças que completam seis anos em 2007 ingressem no primeiro ano do sistema de nove anos. ''Como eu vou explicar para uma criança que o amiguinho dela, que faz aniversário no começo do ano, vai para o primeiro ano e ela, que nasceu uns meses mais tarde, vai ter que ficar retida no Jardim? Há uma questão afetiva e muito delicada em jogo. Estamos falando de crianças que estão no mesmo nível de aprendizado, sempre estudaram juntas, e de repente receberão tratamentos diferentes'', argumenta o presidente do Sinepe.
Souza diz ainda que o que parecia simples (a implantação de mais um ano de estudo obrigatório), tornou-se algo complexo por causa do corte etário estipulado no Estado. Ele lembra que as crianças que tiverem que esperar para entrar no 1º ano do novo ciclo só em 2008 sairão com 15 anos do ensino fundamental e não com 14, como determina o Conselho Federal de Educação. ''A data de corte é, no mínimo, injusta'', define. Souza informa, porém, que as escolas particulares estão se preparando para obedecer às regras.


