Força de vontade é o que não falta para o aposentado Janilton Ferreira, de 48 anos, e o amigo Nivaldo Manoel Vicente, 40 anos. Viajando de bicicletas eles pretendem percorrer cerca de 1,6 mil quilômetros que ligam Itajaí (SC) a Brasília (DF) para falar com o presidente Luíz Inácio Lula da Silva. O objetivo da conversa é conseguir um aumento na aposentadoria de Ferreira, que é portador de cancêr de intestino há 17 anos.
Ontem, os dois ''aventureiros'' chegaram a Londrina. Eles dormiriam na sede do Corpo de Bombeiros e hoje pela manhã iriam para Assis, no interior de São Paulo. O desvio pelo interior do Paraná foi para não ter que enfrentar o trânsito caótico de São Paulo. Nivaldo diz que a opção foi boa, já que o povo paranaense tem sido muito generoso com eles.
A viagem, que deve durar um mês, começou no dia 12 de outubro. Ferreira deixou a esposa, dois filhos e quatro netos na cidade catarinense. O amigo saiu dois dias depois, porque tem uma bicicleta melhor e com 21 marchas. O aposentado conta que parou de trabalhar por causa da doença e recebe um salário mínimo por mês. Só com medicamentos ele gasta em média R$ 90 mensaiss.
A crença de que serão atendidos pelo presidente anima os viajantes mas Ferreira já pensou em outras maneiras de chamar a atenção de Lula, caso não sejam recebidos. ''Eu vou fazer greve de fome por dez dias e o Nivaldo vai ficar pedalando em círculos em alguma praça'', revela. Ferreira pede apenas dez minutos do tempo do presidente e acredita que uma aposentadoria de R$ 600,00 seria suficiente.
Esta é a primeira viagem de bicicleta de Ferreira. O mesmo não se pode dizer de Vicente, que já encontrou até o jogador de futebol Ronaldinho e o técnico Wanderley Luxemburgo na Copa América de 1999, quando esteve pedalando pela Argentina. Neste novo desafio, os dois amigos enfrentam os perigos das estradas e o cansaço físico. Eles pedalam de 80 a 100 quilômetros diariamente e contam com a boa vontade das pessoas que encontram para garantir as refeições. Apesar de terem trazido uma barraca, os dois preferem dormir nos quartéis dos bombeiros.

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