Ciclistas se arriscam no trajeto do trabalho
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quinta-feira, 27 de setembro de 2007
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Cinquenta e cinco quilômetros. Essa distância foi percorrida na segunda-feira pelo montador de móveis Manoel Dias Rocha, 60 anos, para atender a clientela em Londrina, Ibiporã e Sertanópolis. Nada de mais, se o trajeto vencido pelo trabalhador não fosse sobre duas rodas. Uma rotina que, além de cansativa, é arriscada porque não há ciclovias em grande parte da cidade.
Mesmo com as adversidades, Rocha prefere a bibicleta a depender do transporte coletivo. De ônibus, segundo ele, ficaria mais difícil chegar às casas dos clientes, em especial em cidades vizinhas. Para ele, o risco e o medo fazem parte do dia-a-dia.
''Medo a gente tem que ter. Ontem mesmo quase bati na porta de um carro que o motorista abriu sem olhar'', contou. Para ele e outros trabalhadores de Londrina, a construção de mais ciclovias, espalhadas pelos quatro cantos da cidade, seria o ideal para quem opta pelo meio de transporte mais barato e ecologicamente correto que existe.
O ir e vir dos ciclistas de Londrina poderia ser mais fácil. O Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) tem um plano de construção de ciclovias em diversas vias estratégicas da cidade, que totalizariam 66 quilômetros. Até agora, no entanto, poucas localidades receberam a adequação: um trecho da Leste-Oeste, Rodovia Carlos João Strass e Avenida das Maritacas, num total de apenas oito quilômetros.
O projeto de construção de ciclovias, que ainda não saiu do papel, foi uma das duas iniciativas do instituto londrinense selecionadas para o 16º Congresso Brasileiro de Trânsito e Transportes, que será realizado de 1º a 5 de outubro em Maceió (AL) (ver box).
O estudo foi elaborado pela equipe do Ippul após o lançamento do programa federal Bicicleta Brasil, que distribui dinheiro para ações bem sucedidas no incentivo ao uso do meio alternativo de transportes. A análise levou em conta dados como o volume de tráfego e as estatíticas de acidentes.
Acidentes que são, aliás, uma das maiores preocupações dos ciclistas. Relatos de mortes no trânsito são comuns entre os trabalhadores que circulam sobre duas rodas. É o caso do pintor Altair Anunciato, 39, que há cinco meses perdeu um colega de trabalho num desastre na Avenida Winston Churchill, na Zona Norte.
''Onde não tem ciclovia, a gente tem que disputar espaço com os carros. O pior é que os motoristas jogam os ônibus para cima da gente'', queixou-se. Para ele, vias importantes como a Winston Churchill, Tiradentes e a BR-369 deveriam contar com o corredor exclusivo para ciclistas.


