Curitiba - Dezessete minutos foi o tempo que o ciclista e atleta Gabriel Nogueira levou para percorrer quase sete quilômetros pelas ruas do Centro de Curitiba, no horário de pico, entre a 18 e 19 horas. Ele participou do Desafio Intermodal, na quarta feira à noite, com outros cinco competidores, cada um com seu respectivo meio de transporte: um ciclista trabalhador, um motociclista, um homem à pé, um homem que utilizou o ônibus e uma motorista de automóvel. Em último lugar ficou a competidora que dirigiu o carro, a artista plástica Cristina Fauquemont, que levou uma hora para cumprir o mesmo percurso.
Ela calculou que 20 minutos foram gastos só para estacionar o carro em dois momentos do trajeto, que iniciou na Rua Augusto Stresser, no bairro Alto da Glória, passou pela Câmara de Vereadores, uma espécie de ''pit stop'', e encerrou na Prefeitura Municipal. O Desafio Intermodal foi promovido pelo Movimento Bicicletada, que vêm organizando eventos na cidade para incentivar o uso de bicicleta como o transporte mais eficiente e barato, menos poluente e estressante para a população.
Na prefeitura, o grupo foi recebido pelo secretário do Governo, Rui Hara, a quem foram entregues algumas reinvidicações. ''Gostaríamos que, até o final do ano, a cidade tenha 50 quilômetros de ciclofaixas e, em 2008, mais 100 quilômetros, além da revitalização das ciclovias existentes. Curitiba assumiria o papel de vanguarda nesse sentido, servindo como modelo para o Brasil, assim como Bogotá é para o mundo. Seria uma atitude de uma capital ecológica'', disse Jorge Brand, um dos organizadores da Bicicletada.
De acordo com Brand, em segundo lugar no desafio ficou a motocicleta, com 26 minutos, seguida pelo ciclista trabalhador, com 29 minutos. Em quarto lugar ficou o homem à pé, cumprindo o trajeto em 41 minutos, três minutos antes do homem que pegou ônibus. ''O ciclista trabalhador apresentou um ritmo próximo do real, não andou nas canaletas e não pegou contramão. Ficou provado que a bicicleta é o transporte mais rápido, principalmente no momento de pico. O usuário não gasta nada, não polui, é menos estressante, gasta menos tempo e pratica exercícios'', destaca outro organizador da Bicicletada, Juan Parada.
O grupo ainda vai concluir outros dados do Desafio Intermodal como o gastos em cada modalidade, desgaste calórico, quantidade de emissão de poluentes e um item mais subjetivo, o nível de bem-estar ou estresse. Na segunda-feira, os integrantes se dividem para participar de uma audiência com o prefeito Beto Richa e da abertura da sessão na Câmara dos Vereadores.
A prefeitura informou que um grupo de trabalho já estuda alternativas de mobilidade urbana e melhorias no trânsito da cidade, dentre elas o aumento na rede de ciclovias na cidade, novos bicicletários e a criação de ciclo-faixas.

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