Dorico da SilvaMaurício Azevedo: ‘‘Talvez eu pedale uns 150 mil km, em cerca de cinco ou seis anos’’O ciclista paulistano Maurício Antonio da Silva Azevedo, 31 anos, está de passagem por Londrina - a caminho de Maringá, Foz do Iguaçu e Curitiba - depois de rodar cerca de 35 mil quilômetros pelo Brasil nos últimos quatro anos. Neste período, ele utilizou quatro bicicletas e 14 jogos de pneus se preparando para um empreitada ainda maior. Em janeiro de 98 - sob patrocínio de uma fábrica curitibana de chá mate -, Maurício Azevedo inicia a aventura de dar uma ‘volta na Terra’ de bicicleta.
Ele diz não saber quanto tempo vai demorar e nem precisamente quantos quilômetros vai pedalar para alcançar o objetivo. ‘‘Vou descer até o extremo sul da Argentina e depois subir até o norte do Canadá, passando pelos países da América do Sul, Caribe e Estados Unidos. De lá, vou para a Europa e Ásia. Talvez pedale uns 150 mil km, em cerca de cinco ou seis anos’’, comenta Maurício Azevedo, que é solteiro e ex-mecânico de bicicletaria em São Paulo.
O ciclista iniciou sua preparação no dia 12 de novembro de 93, em Curitiba, e contou neste período com a colaboração de empresas e prefeituras de cidades por onde tem passado. Ele já esteve em todas as capitais de estados brasileiros, de Porto Alegre a Manaus, sem nunca ter sofrido qualquer acidente. ‘‘O que há de mais bonito e exótico no Brasil é a região amazônica, com sua floresta e rios indescritíveis. Os estados do Nordeste são muito parecidos entre si, só muda um pouco o sotaque das pessoas’’, conta Maurício Azevedo, que está em Londrina pela segunda vez.
Ele fica na cidade até terça-feira, em busca de patrocínio e colaboração para seguir viagem. O ciclista está acampado nas proximidades do posto de combustíveis Boiadeiro, na BR-369, na saída para Ibiporã. Acoplado à bike de 18 marchas, ele leva um carrinho - também com dois pneus - com todos os seus pertences, como barraca, roupas, ferramentas, fogareiro e alimentos. Bicicleta e carrinho pesam juntos cerca de 60 kg.
Maurício Azevedo afirma que a sua bike - que conta com velocímetro, retrovisor e rádio transmissor - atinge 45 km por hora nas descidas longas. Ele diz rodar em média cerca de 85 quilômetros por dia. ‘‘Não faço isto para aparecer. É para realizar um sonho que tenho desde criança. Quero conhecer bem o mundo, e a melhor forma para isto é de bicicleta. É mais fácil eu morrer na estrada do que desistir deste sonho’’, ressalta o ciclista, mostrando reportagens de jornais e documentos de prefeituras que comprovam a passagem dele por diferentes regiões do País.

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