Vânia Moreira
De Umuarama
Associações de moradores e sindicatos de Cianorte (87 km a nordeste de Umuarama) pretendem entrar com uma ação judicial para suspender o desmatamento do cinturão verde que circunda a cidade. A Companhia Melhoramentos Norte do Paraná (CMNP) começou a derrubar a mata semana passada depois de fechar um acordo com a prefeitura e o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), com aprovação do Ministério Público e da Associação de Proteção ao Meio Ambiente de Cianorte (Apromac).
Representantes das entidades e moradores alegam que desconheciam que o acordo previa o desmate de parte do cinturão. ‘‘A comunidade não foi consultada e só ficou sabendo do desmate quando as máquinas começaram a trabalhar’’, disse ontem o presidente da Associação de Moradores dos Seis Conjuntos, José Ferreira Rocha. A associação reúne cerca de 10 mil moradores de seis bairros próximos à mata. ‘‘O povo se revoltou ao ver as máquinas derrubando as árvores e ameaça fazer um grande protesto’’, disse Rocha.
Pelo acordo, a CMNP doou 330 hectares de mata, a área mais conservada do cinturão, em troca de autorização para desmatar e lotear 148 hectares, cerca de 35% da área total. A companhia também vai poder desmatar outros 83 hectares de reservas na zona rural. A negociação vinha sendo feita há 3 anos. No início, a companhia queria autorização para desmatar 660 hectares na zona urbana e rural.
Os 330 hectares foram transformados em parque ecológico municipal. O município passa a ser responsável pela conservação da reserva e vai receber cerca de R$ 30 mil mensais em ICMS ecológico. Segundo o chefe do escritório regional do IAP em Umuarama, João Toninato, as áreas desmatadas já foram destruídas por incêndios e exigiriam muito dinheiro e tempo para se recompor .
‘‘A maioria é só capoeira’’, justificou. Ele sustenta que acordo foi vantajoso, porque o município não teria recursos para comprar a área, nem para recuperar as partes devastadas. ‘‘Com a doação, o poder público vai poder angariar verbas, implantar programas de preservação e salvar o que restou do cinturão’’, observou.
Entretanto, os moradores não aceitam o desmate, mesmo que as áreas estejam degradadas. ‘‘Em vez de lutar para conservar, vão acabar de destruir o que restou’’, critica o presidente da APP-Sindicato, Leonir Borges. Segundo Borges, as entidades estão tentando encontrar uma brecha jurídica para barrar o desmatamento. ‘‘Uma alternativa é questionar a legalidade da Apromac, que aceitou o acordo sem consultar os associados’’.

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