Cianorte já faz cirurgia de estômago
Vânia Moreira
De Umuarama
Cianorte (87 quilômetros a nordeste de Umuarama) já está fazendo cirurgia de redução do tamanho do estômago, indicada para os chamados obesos mórbidos, pessoas muito gordas que já tentaram todos os tratamentos para emagrecer sem sucesso. A cirurgia está sendo feita pelo gastroenterologista Jorge Akira Honda. A balconista Elaine Castilho de Andrade, 36 anos, foi a primeira pessoa a fazer uma cirurgia há 15 dias. Ela pesava 108 quilos e já começava a apresentar problemas de saúde por causa da gordura. Elaine diz que se tivesse que arcar com os custos da viagem e da operação num centro maior, não poderia fazê-la. Outros três pacientes devem ser operados nas próximas semanas em Cianorte.
Segundo Jorge Honda, a espera por uma cirurgia de redução do estômago no Hospital das Clínicas de São Paulo, centro de referência neste tipo de tratamento, pode durar até cinco anos. Segundo o médico, 3,5% dos pacientes morrem na fila de espera. Em outros centros, a cirurgia pode custar até R$ 5 mil. Em Cianorte, Elaine pagou R$ 1,5 mil. Se tivesse que desembolsar mais que isso, não poderia me operar, disse. O Sistema Único de Saúde (SUS) ainda não cobre cirurgias para redução do tamanho do estômago.
A cirurgia reduz a capacidade do estômago de um litro e meio para apenas 25 mililitros, o equivalente a uma xícara de café. O obeso passa a se satisfazer com uma quantidade mínima de comida, perde peso e não engorda mais. Segundo o gatroenterologista Jorge Honda, a cirurgia só é recomendada para obesos, cujo índice de massa corporal passa de 40. Também é recomendada quando o índice de massa corporal se situa entre 35 e 40 e a pessoa já apresenta problemas de saúde decorrentes da obesidade. Em todos os casos, é preciso que o obeso já tenha tentado outros tipos de tratamento.
A obesidade mórbida causa uma série de doenças, desde as mais simples como varizes até o câncer. Mais cedo ou mais tarde, o gordo com massa corporal acima de 40 terá hipertensão arterial, diabetes, arteriosclerose, derrame cerebral, doenças articulares ou outras. Segundo o médico, o obeso mórbido corre 10 vezes mais risco de morrer do que o indivíduo normal. Sua expectativa de vida também é 20% menor do que seria se tivesse peso normal.
Elaine conta que durante 20 anos tentou tudo para emagrecer, mas cada vez engordava mais. Eu perdia 10 quilos e depois ganhava 20. Comia compulsivamente e chegou a pesar 120 quilos. Trabalhando todo o dia em pé, ela já apresentava problemas nas articulações e diabetes. Casada com o garagista João Pascoalino, 40 anos, e mãe de dois filhos, há 10 anos ela inventava desculpas para não ir à praia. Agora, já faz planos de ir para o litoral com família no final de ano.
Ela emagreceu oito quilos desde a cirurgia e espera perder de 60% a 70% do peso extra até o final do ano. Ela diz que está começando uma vida nova agora, livre do preconceito, das piadinhas e da vergonha de ser gorda. Vou poder dormir e trabalhar melhor, andar de ônibus sem problemas, usar roupas justas, enfim ter uma vida mais saudável e feliz, comemora.





