Cianorte cria parque em cinturão verde
Vânia Moreira
De Umuarama
O secretário estadual do Meio Ambiente, Hitoshi Nakamura, participa sábado em Cianorte (87 quilômetros a nordeste de Umuarama) da assinatura do acordo que transferirá ao município 330 hectares de matas que circundam a cidade. A área integra o chamado Cinturão Verde pertencente à Companhia Melhoramentos Norte do Paraná (CMNP). A área será transformada em parque ecológico. Nakamura também fará o lançamento oficial do Parque Ecológico Cinturão Verde. A solenidade será na Avenida Maringá, esquina com a Rua Minas Gerais, na saída para o distrito de Vidigal.
Em troca da doação dos 330 hectares de mata preservada ao município, a CMNP conseguiu autorização para desmatar e lotear 148 hectares do cinturão que estão destruídos. A companhia também vai poder desmatar outros 83 hectares de reservas na zona rural. A negociação vinha sendo feita há três anos e gerou muita polêmica e protestos de ambientalistas do município. Pelo acordo, 35% do cinturão será desmatado.
Segundo o chefe do escritório regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) em Umuarama, João Toninato, o acordo foi vantajoso, porque o município não teria recursos para comprar a área, nem para recuperar as partes devastadas. Com a doação, o poder público vai poder angariar verbas e implantar programas de preservação, observou. A Associação de Proteção do Meio Ambiente de Cianorte (Apromac) e o Ministério Público aprovaram o acordo.
Segundo Toninato, os 160 hectares a ser loteados pela Companhia já estavam devastados. São matas próximas a conjuntos residenciais, destruídas pelos moradores e por sucessivas queimadas, disse. Em compensação, de acordo com Toninato, a parte preservada do cinturão passa ao domínio público que poderá receber ICMS Ecológico e outras verbas. Se nenhuma das partes cedesse um pouco, não se chegaria a lugar nenhum e o cinturão continuaria sendo destruído aos poucos, argumentou Toninato.
O prefeito Flávio Vieira (PFL) disse que o município já baixou decreto que cria o Parque Cinturão Verde. A reserva será administrada pela prefeitura, em conjunto com o IAP e a Apromac. Vieira disse que as negociações demoraram porque, no início, a CMNP queria autorização para desmatar 688 hectares de matas, na área urbana e rural. Graças ao bom relacionamento que temos com os diretores da companhia, conseguimos reduzir esta área para 231 hectares, informou.
Em Campo Mourão, 90 proprietários rurais assinaram, anteontem, acordo para o reflorestamento da mata ciliar do Rio Claro. Trata-se da segunda etapa do projeto de recuperação das matas das margens do rio. Na primeira, realizada em agosto, outros 80 proprietários assumiram o compromisso de reflorestamento. No acordo de anteontem, firmado através do Ministério Público e do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), está previsto o plantio de 100 mil mudas de árvores nativas em 25 quilômetros de margens do Rio Claro. (Colaborou Lúcio Flávio Moura)





