A Câmara de Cianorte (87 km a nordeste de Umuarama) aprovou, anteontem à noite, requerimento solicitando que membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura o crime organizado no País se desloque até o município para investigar o suposto envolvimento de moradores e autoridades no esquema de roubo de carga.
Os vereadores estão sendo pressionados por 13 sindicatos, associações e partidos políticos para criar uma CPI para investigar o suposto envolvimento do presidente da Câmara, Deolindo Antônio Novo (PSL), com quadrilhas especializadas em roubo de cargas, mas não querem criar a comissão.
O presidente da Câmara foi citado na CPI nacional e numa investigação da Promotoria de Investigações Criminais (PIC) do Paraná envolvendo a participação de policiais no esquema. Advogado, Deolindo é irmão de Airton Antônio Novo, que já foi preso duas vezes e é apontado como um dos líderes da quadrilha. Semana passada, Deolindo convocou as pessoas que pediam a CPI a comparecer na sessão de segunda-feira e apresentar provas contra ele.
Ninguém atendeu ao pedido do presidente e ele mesmo tomou a iniciativa de solicitar a criação de duas CPIs, uma para apurar o narcotráfico e outra para o roubo de cargas. Os dois requerimentos foram rejeitados e os vereadores optaram por pedir a presença da CPI nacional. Os 13 vereadores assinaram o requerimento.
Deolindo diz fazer questão que seja criada uma CPI na Câmara para apurar os fatos. O problema, segundo ele, é que as CPIs para investigar o crime organizado em outras cidades não vingaram porque os vereadores têm medo e o mesmo acontece em Cianorte. O presidente nega qualquer envolvimento com quadrilhas de roubo de cargas e garante que não existem provas contra ele. Justifica que seu nome é citado apenas por ser irmão de Airton e tê-lo defendido em alguns processos. ‘‘Agora nem estou advogando devido ao mandato político’’, informou.

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