Ciaadi também alerta para grupos de extermínio
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sexta-feira, 26 de abril de 2002
Maranúbia Barbosa Reportagem Local 
O diretor do Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi), Márcio Filla, de Londrina, também acredita que grupos de extermínio ligados ao tráfico de drogas sejam responsáveis pela maioria dos assassinatos de adolescentes na cidade. A suspeita de que guangues estejam executando jovens, a maioria com até 21 anos, foi lançada pela promotora da Vara da Infância e Juventude, Edina Maria Silva de Paula, em reportagem publicada pela Folha no último domingo. Filla, no início deste mês, em reunião sobre segurança envolvendo menores, em Curitiba, alertou sobre a possibilidade de Genivaldo Xavier, 18 anos, o Zequinha, ser assassinado após sair do educandário de Curitiba. Ele foi o último adolescente executado na cidade.
Zequinha, que ficou internado um ano e quatro meses por vários delitos, foi assassinado cerca de duas semanas depois da reunião. Entre os 36 assassinatos ocorridos este ano, 70% são de adolescentes. A grande maioria deles cumpriu pena por atos infracionais.
Segundo o diretor, não há nenhum respaldo do poder público para receber os menores que retornam do educandário. Os cursos profissionalizantes, as orientações que eles recebem na instituição, tudo acaba indo por água abaixo porque os adolescentes não têm como aplicar o que aprenderam. Eles voltam e encontram a mesma realidade que deixaram, diz. O ideal seria evitar que eles fossem para o educandário, observa Filla, que é contra a redução da idade penal. Não concordo com a impunidade, mas prender não é a melhor solução, diz Filla. A média de atendimento do Ciaadi, que tem capacidade para 36 pessoas, é de 2 mil casos por ano. Nos três últimos anos os atendimentos pularam de 15 para 35 ao mês.
De acordo com Filla, a rua, com toda a permissividade e perigos, torna os adolescentes ainda mais vulneráveis à violência. Entretanto, continua ele, a rua seduz os menores, o que leva a uma questão primordial: Onde estamos errando que não conseguimos adesão dos garotos aos projetos de recuperação?, lamenta o diretor.
A construção de um educandário da cidade, segundo o diretor, pode facilitar o acompanhamento dos adolescentes posterior à pena. O educandário, que deverá ter capacidade para 80 jovens, está em fase de licitação e será construído com recursos do Fundo para Infância e Adolescência (FIA).


