Ciaadi suspende visitas por 30 dias
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sábado, 05 de janeiro de 2002
Cristiane Oya 
As visitas aos internos do Centro Integrado de Assistência ao Adolescente Infrator (Ciaadi) estão suspensas até o dia primeiro de fevereiro. A medida é uma determinação do diretor da instituição, Márcio Fila. Segundo o promotor da Vara da Infância e Juventude de Londrina, Tiago Gerardi, a suspensão das visitas foi necessária devido a três tentativas de fuga ocorridas nos dias 28, 29 e 30 de dezembro. Os meninos criaram confusão nesse feriado. Houve necessidade de intervenção da polícia. Tivemos que chamar a tropa de choque por questão de segurança. Os meninos estavam serrando as grades, relatou o promotor. Gerardi ainda afirmou que um dos 40 internos conseguiu fugir.
Conforme o promotor, durante a revista, os educadores encontraram serras e um tablete de maconha. É complicado porque as visitas são muito excessivas. São 40 meninos internados e 90 visitantes e, em decorrência, os educadores do Ciaadi não conseguem fazer essa revista e algumas coisas ilícitas estão sendo colocadas para dentro, disse.
A suspensão, que não foi comunicada aos responsáveis pelos internos, revoltou algumas mães que foram ontem até a instituição, localizada na zona leste, dia da semana reservado para as visitas. A dona de casa Osvaldina Gomes Pereira, mãe de V.R.P., 16, preso desde o dia 22 de dezembro, acusado por roubo, disse que ninguém justificou a suspensão da visita. Eu estou mais tranquila porque meu advogado pôde entrar e disse que não aconteceu nada com ele. Boatos dizem que os meninos foram espancados, mas isso a gente não pode afirmar, comentou.
A doméstica Maria Cleonice de Oliveira, mãe de D.O.S, 14, acredita que os meninos tenham sido espancados. A gente tem certeza que se estão esperando até o dia primeiro, é para curar alguma coisa que está nas crianças porque sexta-feira nós viemos e as crianças estavam machucadas lá dentro, todos estavam roxos, porque no Natal eles festejaram um pouquinho, relatou.
O promotor negou que os internos tenham sido machucados. Funcionários do Ciaddi impediram a reportagem de entrar nas dependências da instituição. A Folha tentou entrar em contato com Fila, mas ele não foi localizado. De acordo com dados da Vara da Infância e Juventude, entre 1º de janeiro e início de novembro de 2001, foram detidos 600 adolescentes.


