Gestos da capoeira para disciplina e hip hop e rap para valorizar a comunidade de onde vieram. Unir essas modalidades de expressão com intuito de melhorar a convivência dos internos e facilitar sua reinserção na sociedade é a aposta do Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi) que passa, a partir da semana que vem, a integrar a Rede da Cidadania, projeto da Secretaria Municipal da Cultura responsável por levar atividades culturais aos bairros carentes de Londrina. Ontem, os 35 adolescentes apreendidos da instituição tiveram o primeiro contato com o projeto e acompanharam, com atenção, os movimentos dos capoeiristas da Rede.
A parceria do Ciaadi e Rede da Cidadania vai possibilitar que os adolescentes infratores tenham aulas de capoeira e hip hop além de uma oficina de produção de textos de rap. Segundo o diretor da instituição, Márcio Filla, serão seis atividades semanais. Na apresentação de ontem, o diretor afirma já ter tido boas surpresas. ''Colocamos menores de todos os setores da cidade no pátio e não houve qualquer problema'', afirmou, referindo-se às brigas entre gangues que se repetem dentro do Ciaadi.
Tentar acabar com a violência e as brigas dentro do centro, aliás, é um dos principais objetivos do Ciaadi com a parceria. ''Acreditamos que, com isso, a rivalidade e agressão sejam direcionadas para outras atividades que possibilitem a reflexão desses jovens. Além disso, o programa traz a possibilidade da formação de um elo do jovem com o programa que ele pode continuar depois que sair daqui'', antecipou o diretor que aposta no fascínio dos jovens pela música e dança como forma de sociabilização.
Em média, os adolescentes passam 45 dias na instituição, tempo que demora para correr o processo na Promotoria de Infância e Juventude. Contudo, há jovens que estão no Ciaadi há mais de quatro meses enquanto aguardam vaga no Educandário São Francisco, em Curitiba, onde são transferidos infratores culpados de delitos graves.
Segundo Filla, a inclusão da Rede da Cidadania faz parte de um projeto de remodelação do Ciaadi, cuja forma de atendimento vinha recebendo críticas. ''Estamos tentando humanizar nosso atendimento, mas isso demanda um certo tempo'', disse o diretor. Uma das mudanças foi o fim da alimentação dentro das celas, uma cena que lembra muito o que ocorre nos presídios. Hoje, os adolescentes se alimentam em um refeitório.

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