Albari RosaTrabalhoSexta-feira, técnicos do DNER desobstruíram a estrada, mas o trabalho teve que ser repetido ontem
O município de Adrianópolis, a 133 quilômetros de Curitiba, voltou a ficar isolado ontem em consequência de nova queda de barreiras nos quilômetros 15 e 23 da BR-476, conforme informou a Defesa Civil. Adrianópolis já havia ficado 36 horas completamente isolado por chuvas que interromperam o tráfego na rodovia.
Na sexta-feira à tarde, técnicos do DNER explodiram as pedras que fechavam a estrada, reestabelecendo o acesso ao município, mas à noite voltou a chover e Adrianópolis ficou novamente inacessível. Uma equipe do DNER esteve no local para tentar novamente desobstruir a rodovia. Até o início da tarde, os técnicos ainda trabalhavam no local. Com o isolamento, o município ficou sem luz, água e telefone.
A Defesa Civil informou que ontem permaneciam em abrigos públicos 1.185 pessoas em todo o Paraná, principalmente na região Noroeste e às margens do rio Paraná, onde o nível da água continua subindo. Na quinta-feira, o número de desabrigados chegou a 3.360, mas com a interrupção das chuvas na sexta-feira, 2.175 conseguiram voltar para casa. O coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Luís Antonio Borges Vieira, calcula que 10% das vítimas tiveram perda total, com suas casas sendo completamente destruídas ou carregadas pelas enxurradas.

Até ontem, 1.185
pessoas continuavam
desabrigadas em
todo o Estado


Ontem, a Defesa Civil concentrava as atenções nos municípios próximos ao rio Paraná. O nível do rio na manhã de ontem estava em 5,05 metros, quase quatro metros acima do normal. Até o início da tarde, 325 pessoas tinham sido retiradas de suas casas nos municípios de Porto Rico, Porto Figueira e Santa Helena. Os outros municípios atingidos pela cheia são Querência do Norte, Santa Cruz do Monte Castelo, Icaraíma e Vila Alta. A Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros trabalham no local com seis barcos e uma equipe de 30 homens.
Na região de Curitiba, a Secretaria da Saúde começou a vacinar as vítimas das enchentes. Crianças e adultos recebiam duas doses de vacina, uma contra hepatite-B e outra contra tétano e difteria. Além disso, a Secretaria da Saúde coordenava um trabalho de limpeza na região para evitar a contaminação por lixo carregado pelas chuvas. A preocupação é com a possibilidade de disseminação da leptospirose, doença provocada pela urina de ratos.
Na região de Curitiba, o município mais atingido pelas chuvas foi Pinhais, mas a situação já estava normalizada ontem. Em Castro (a 150 quilômetros de Curitiba), o nível do rio Iapó continuava subindo e a situação era preocupante. No quilômetro 695 da BR 376, ligando Curitiba a Joinville, estava ocorrendo deslizamento de terra e apenas meia pista estava liberada para o tráfego. A Polícia Rodoviária alerta que, se continuar chovendo, a pista pode ser interditada.

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