As tragédias causadas nos últimos dias pelas enchentes no País reacenderam as preocupações de paranaenses que, em janeiro do ano passado, enfrentaram os transtornos causados pela força das águas. As previsões de chuva forte para o início desta semana colocam em alerta municípios como Sengés, Ibaiti e Tomazina, no Norte Pioneiro, onde os estragos do verão passado ainda não foram totalmente recuperados.
  Em Sengés, onde cinco pessoas morreram durante a enchente, os comerciantes da área central da cidade conviveram praticamente um ano com operários e máquinas interrompendo o tráfego para substituir galerias que não suportaram o volume de água e reconstruir a pavimentação das ruas. Com dificuldades de captação de recursos para as obras, a prefeitura só conseguiu entregar o novo asfalto no final de novembro, e os perigos de uma nova catástrofe já começam a rondar a população.
  A cidade é cortada pelo Rio Jaguaricatu, que ficou assoreado após receber tanta água enlameada. Hoje o nível do leito sobe com muito mais rapidez, tirando o sono de comerciantes. Segundo informações da assessoria de imprensa do município, foram pleiteados R$ 3,5 milhões junto ao governo federal para recuperação de áreas públicas e reconstrução de casas para a população ribeirinha, mas foram obtidos apenas R$ 1,7 milhão.
  Em Tomazina, o vice-prefeito Adalberto Sanches da Silva informou que falta pouco para a cidade se recuperar totalmente do caos vivido há um ano, mas a preocupação é grande. ‘‘O estádio ainda não foi reconstruído e as obras na avenida que margeia a prainha do Rio das Cinzas não foram concluídas. Os moradores, principalmente os que moram na beira do rio, ficam apavorados toda vez que chove.’’ Em 30 de janeiro de 2010 o nível do manancial subiu 10 metros, destruindo a ponte que dá acesso à cidade.
  Ibaiti é outro município que passou 2010 reconstruindo tudo o que a água levou e agora teme os dias chuvosos da estação. Em janeiro do ano passado, 54 pontes das áreas urbana e rural foram danificadas e uma grande extensão de estradas rurais ficou intransitável. Também naquele município – o maior da região em extensão de terras – uma represa de 14 hectares de extensão e 30 metros de profundidade máxima, a Santa Laura, rompeu-se devido às chuvas. Ficaram no local uma cratera enorme, de solo rachado, que destruiu um projeto piloto de piscicultura no assentamento Vale Verde.
  Segundo o prefeito Luiz Carlos Teté dos Santos (PSDB), a recuperação de tudo – ou quase tudo – que foi perdido custou mais de R$ 2 milhões (dos quais R$ 1,5 milhão obtido junto ao governo federal). As pontes foram reconstruídas e elevadas. As estradas, refeitas e alargadas, ganharam valas para escoamento da água e vários pontos da cidade ganharam muros de arrimo. A represa Santa Laura ainda não foi reconstruída, de acordo com Santos, por problemas burocráticos junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). ‘‘Temos uma área de ocupação irregular na cidade, ao longo da antiga linha férrea, que preocupa muito pela fragilidade das construções. Estamos em alerta e pedindo a Deus que a mesma tragédia não se repita este ano, até porque o caixa da prefeitura, desta vez, está desfalcado’’, preocupa-se o prefeito.

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