Celso MargrafEstragosSegundo dados da Coordenadoria estadual da Defesa Civil, 18 pontes foram destruídas. Prefeitura tenta abrir estradas alternativas para chegar aos moradores, mas tempo chuvoso dificulta o trabalhoTrês dias depois da tragédia que causou a morte de cinco pessoas de uma mesma família, ainda continua crítica a situação dos mais de 10 mil moradores que estão isolados na zona rural do município de Prudentópolis (Centro-Sul do Estado), região que foi atingida por um temporal na madrugada de quinta-feira.
Sem poder chegar até a cidade, famílias inteiras, que moram nas localidades de Macaco e Ligação (as áreas mais atingidas), estão sofrendo por causa da falta de assistência médica, água e até mesmo de comida. Segundo informações da coordenadoria estadual da Defesa Civil, 30 famílias estão desabrigadas e 18 pontes foram destruídas.
A chuva forte, que não pára de cair, está dificultando o trabalho de assistência às famílias e impedindo o trabalho da Prefeitura, que tenta recuperar as principais pontes e estradas que dão acesso às regiões mais prejudicadas. A restauração das pontes é a principal prioridade, disse Valdir Fischer, da Secretaria de Obras da Prefeitura. ‘‘Precisamos das pontes para chegar até as famílias necessitadas.’’
As aulas nas escolas da região tiveram que ser suspensas. Segundo Helena Gardasz, professora de uma escola em Ligação e que está ajudando a única enfermeira do Posto de Saúde no atendimento dos enfermos, a desidratação é o principal problema dos desabrigados. Os médicos não conseguem chegar à região.
Enquanto as pontes não podem ser recuperadas, a Prefeitura trabalha na abertura de estradas alternativas para servir de desvios. Em casos urgentes, principalmente de doenças graves, as pessoas estão sendo carregadas no colo, de um lado para outro dos rios.
O governador Jaime Lerner (PFL) deve viajar a Prudentópolis no início desta semana. Ontem à tarde, o chefe da Casa Militar e coordenador da Defesa Civil, coronel Luiz Antônio Borges Vieira, esteve reunido com o prefeito de Prudentópolis, Vilson Santini (PTB), e com as equipes que trabalham no local. Segundo o coronel, após a fase de socorro aos desabrigados o governo deve fazer o cálculo dos prejuízos e providenciar recursos para auxiliar a recuperação do município.
As áreas mais atingidas estão recebendo kits de alimentação (sopa e cestas básicas) e medicamentos (principalmente para a purificação da água e prevenção contra diarréia e infecções).
Em Curitiba, ontem ainda havia 92 pessoas em abrigos públicos no Bairro Novo, em função das fortes chuvas que caíram na manhã de quinta-feira. No Pinheirinho, as famílias já retornaram para suas casas. Na Vila Verde, dois barracos desabaram e seis moradores foram realocados.
As chuvas também causaram estragos em vias públicas e residências em Cascavel, onde começou a chover por volta das 20 horas de sexta-feira. O Corpo de Bombeiros continuava prestando atendimento na manhã de ontem. Na área central, houve alagamento de ruas, principalmente porque bocas-de-lobo estão entupidas. Segundo o tenente do Corpo de Bombeiros, Antonio Schinda, 95% das ocorrências foram de alagamentos, principalmente em bairros de declive e nas proximidades de córregos.

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