Chuvas impedem a coleta de lixo
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terça-feira, 03 de março de 1998
Benê Bianchi 
Josoé de CarvalhoSujeiraA dona de casa Neiva Soares: a solução precária foi pendurar sacos nas árvores do bairro para livrar o lixo dos cachorrosOs moradores do jardim Santo André (zona oeste de Londrina) estão tendo problemas com o lixo doméstico. Desde que começou a chover, há mais de duas semanas, o caminhão da empresa Vega Sopave não entra no bairro, cujas ruas não são asfaltadas. O lixo está se acumulando nas calçadas, terrenos vazios e ruas, espalhado pelos cachorros.
O casal Mário Libório e Maria Custódio Pinheiro conta que faz, pelo menos, 20 dias que o caminhão não passa pelo bairro. Moramos aqui há cinco anos e isso nunca aconteceu. Tem lixo por tudo quanto é lugar. Não temos mais onde colocar os sacos, reclama Mário Libório. Mesmo achando uma falta de respeito, ele confessa que teve de jogar lixo na beira da rua, ao lado de um pasto.
A gente não aguenta mais, diz ele, acrescentando que como os cachorros tombam as latas ou rasgam os sacos de lixo, o mau cheiro no bairro já está ficando insuportável.
Para livrar seu lixo da ação dos cães, a dona de casa Neiva Alves e vários vizinhos resolveram encher as árvores de pregos, para pendurar os sacos. Tem rua parecendo árvore de Natal, compara Maria Custódio. Neiva Soares comenta que pendurar o lixo nas árvores foi a forma encontrada para diminuir a sujeira. Se colocamos no chão, os cachorros rasgam tudo, espalhando lixo e mau cheiro.
Os moradores do Santo André não são os únicos prejudicados com a falta de coleta. Segundo o diretor geral da Vega Sopava, empresa responsável pelo serviço, Carlos Augusto Mendes de Oliveira, quando chove muito os caminhões ficam impossobilitados de entrar em vários bairros da Cidade. Só na última semana deixamos de fazer a coleta em cerca de 10 bairros.
Ele esclarece que não pode colocar os caminhões em locais que não apresentam condições de tráfego. Segundo ele, isso representa risco não só para os funcionários e o equipamento da empresa, como também para os moradores de bairros. Os caminhões não foram feitos para trafegar em lama, não têm tração nas rodas e possuem um peso traseiro muito grande. Além disso, se o veículo desliza coloca em risco as casas e vidas dos moradores.
Ele aponta os jardins Olímpico (zona oeste) e União da Vitória (zona sul) como locais que têm várias ruas inclinadas, representando perigo nos dias de chuva. Outro fator que impede a coleta são as obras de asfalto em vários bairros - o Santo André é um deles - e a erosão provocada pelas chuvas em várias ruas. Sempre que não conseguimos fazer a coleta, a AMA (Autarquia do Meio Ambiente) é informada, diz Oliveira. Segundo ele, os fiscais da empresa estão nas ruas vistoriando as ruas para ver quais apresentam condições para que os caminhões voltem a fazer a coleta. Ele não tem previsão quando a coleta será feita no Santo André.
O diretor-operacional da AMA, Júlio Bittencourt, informa que já recebeu a carta da Vega Sopave sobre as dificuldades de coleta de lixo no jardim Santo André. Segundo ele, a autarquia irá sugerir à empresa que defina um local onde o caminhão possa chegar para que moradores deixem o lixo. Há transtornos nesses bairros por causa da chuva e das obras de asfalto. Mas acredito que os moradores vão levar o lixo até uma rua em que o caminhão possa trafegar. O transtorno é passageiro.


