Chuvas em Minas elevam Rio Paraná
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terça-feira, 07 de janeiro de 1997
Leonardo Revesso Especial para a Folha 
VILA ALTA - As fortes chuvas que castigam os estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro já começam a espalhar medo entre moradores do arquipélago de Ilha Grande, no Noroeste do Estado. O nível do rio Paraná subiu cerca de 30 centímetros nos últimos dias e pode crescer mais com o aumento da vazão das hidrelétricas de Rosana e Jupiá, em São Paulo.
Para hoje, a previsão da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) é de uma vazão de 9 mil metros cúbicos por segundo. A vazão normal é de 5,5 mil metros cúbicos. Ontem de manhã, estava prevista a liberação de 6,3 mil metros cúbicos. No entanto, à tarde, os técnicos da Companhia tiveram que aumentar o volume para 7,5 mil metros cúbicos.
Soldados do Corpo de Bombeiros de Umuarama estiveram no rio no final de semana. Segundo a corporação, não há motivo para alarme. O Corpo de Bombeiros se colocou de prontidão para atender possíveis emergências, caso seja necessário ajudar no transporte dos ilhéus. Em fevereiro de 95 vários trechos das ilhas mais baixas ficaram encobertos pela água. A prefeitura de Vila Alta chegou a improvisar alojamento para 50 famílias às margens do rio. Boa parte das plantações dos ilhéus se perdeu.
A previsão é de que a vazão das hidrelétricas de Rosana e Jupiá aumente ainda mais até o final da semana se a chuva continuar forte em Minas Gerais, estado em que os rios Grande e Paranaíba se juntam, formando o rio Paraná. Em São Paulo, o rio Paraná é represado em dois pontos para a produção de energia elétrica. Por isso, o controle de vazão pela Cesp. Conforme vai juntando água aqui, vamos liberando uma vazão maior, disse Manoel Fernandes, despachante da Cesp.
Uma eventual cheia agora no Paranazão traria sérios prejuízos para os ilhéus da região de Umuarama. No momento, eles se preparam para a colheita da safra de milho e arroz. Os cerca de 20 fazendeiros que mantêm gado nos pontos mais suscetíveis a cheias também teriam problema para o transporte dos animais.
Só faltava dar nova cheia no rio. Seria um desastre, porque já estamos sendo muito castigados, diz o agricultor Marinho Fernandes Galião, que planta arroz no arquipélago. Ontem de manhã, ele esteve em Vila Alta para comprar feijão e foi informado das chuvas em Minas Gerais. Muita gente da ilha está tendo que trocar feijão porque as últimas enchentes não nos deixaram produzir, lamenta. Em Porto Figueira, às margens do rio, a situação é tranquila entre os moradores.


