Chuvas destroem laboratórios da UEL
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quinta-feira, 05 de junho de 1997
Célia Baroni 
Choveu. E choveu muito. De acordo com o departamento de agrometeorologia do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), só nestes cinco primeiros dias de junho caíram 192,8 milímetros de chuva - 160 mm só entre as 9 horas de quarta-feira e as 9 horas de ontem. Para se ter uma idéia da quantidade de água que caiu, a média histórica do mês inteiro de junho é de 90,4 mm. E, se a chuva não caiu forte, o volume foi tão grande que acabou inundando as salas dos oito laboratórios do departamento de Química e Bioquímica da Universidade Estadual de Londrina (UEL), no bloco 3 do campus.
As obras de restauração da cobertura do prédio, ainda incompletas, não resistiram. Ontem, funcionários, professores e alunos se depararam com uma verdadeira calamidade. Fios de eletricidade e tomadas literalmente pingavam como torneiras. Paredes trincadas jorravam água, equipamentos e mesas estavam encharcados, mesas de trabalhos totalmente molhadas e o piso das salas, alagado. A situação é tão grave que o prédio teve de ser interditado e, embora a prefeitura do campus tenha providenciado a hipermeabilização provisória dos equipamentos, não é possível garantir que não houve danos.
Além do possível prejuízo material - os laboratórios abrigam equipamentos e materiais caros -, o prejuízo didático também preocupa. O presidente do Centro Acadêmico de Química, Flávio Augusto Lanças, afirma que o desastre vai custar pelo menos duas semanas de aula para os 160 alunos do curso. As aulas de laboratório significam cerca de 30% do total de aulas do curso, mas Lanças enfatiza que em importância superam em muito a soma das aulas teóricas.
A interdição dos laboratórios prejudica também alunos de outros 12 cursos de graduação, entre eles Medicina, Enfermagem, Agronomia e Odontologia - somando cerca de 600 alunos. Os laboratórios são utilizados ainda por oito cursos de pós-graduação. Aproximadamente 60 alunos do curso de Química se reuniram com professores do departamento e com o prefeito do campus, Luiz Alberto Navolar, para cobrar agilização da conclusão da obra e melhorias para o departamento. Embora nosso curso esteja entre os melhores em qualidade de professores e resultados dos alunos, ele é um dos mais abandonados em investimentos em estrutura física, diz Lanças.
Segundo o Centro Acadêmico de Química, a situação de precariedade do prédio - goteiras, insalubridade das salas e problemas no sistema elétrico - foram denunciados oficialmente, pela primeira vez, em um jornal interno da UEL em 1988. Só agora, e depois de muita pressão, a Universidade resolveu solucionar o problema das goteiras. Demorou tanto que a estrutura ruiu antes, frisa Lanças. As obras estão sendo realizadas por uma empreiteira que começou os trabalhos em janeiro, com o compromisso de entregá-la pronta no prazo de 60 dias.
A entrega deveria ter acontecido há mais de um mês, afirma Lanças. A justificativa do prefeito do campus - atraso dos trabalhos da empreiteira - não convence os estudantes.
Lanças afirma que, apesar do prédio ter 25 anos, os alunos do curso de Química ainda são obrigados a ter aulas práticas no Centro de Estudos Sociais Aplicados (Cesa). Não temos salas de aula para o curso e somos obrigados a nos deslocar continuamente entre o Cesa e o prédio do departamento, que fica próximo à biblioteca.
Outro problema é a falta de espaço para os professores. Lanças afirma que a acomodação dos departamentos de Química e Bioquímica, no mesmo prédio, foi feita na base do jeitinho, sem preocupação com a qualidade da divisão dos espaços. Hoje, diz, os professores - a maioria com doutorado - não contam com salas adequadas de permanência para preparar aulas e projetos.
O prefeito do campus garante que 70% das obras já estão prontas e os trabalhos serão retomados assim que a chuva parar. Se depender disto e a previsão do Iapar estiver certa, a empreiteira retoma os trabalhos amanhã. O meteorologista do Iapar, Luiz Fernando Nachtigall, afirma que as chuvas devem começar a parar ainda hoje. A chuva pára, diz, mas a temperatura cai. Uma frente fria vinda do Rio Grande do Sul deve atingir a região de Londrina, no final de semana.


