Um novo colapso no sistema de captação da Sanepar, provocado pelas chuvas de sábado, deixou Umuarama sem água pela segunda vez em menos de 10 dias. Desta vez, a Sanepar foi obrigada a parar o sistema de captação por 22 horas. Os reservatórios esvaziaram e 90% da cidade amanheceu sem água no domingo.
Ontem de manhã, o prefeito Fernando Scanavaca (PTB) e o gerente regional da Sanepar, Francisco Marques dos Santos, viajaram para Curitiba para tentar a liberação imediata de verbas que permitam o reinício das obras de galerias de águas pluviais no Parque das Jaboticabeiras.
Dia 16, a chuva obrigou a Sanepar a desligar as bombas de sucção durante 14 horas, deixando metade da cidade sem água. A capacidade de reserva é de quase 7 milhões de litros, suficiente apenas para 12 horas de consumo.
Com cerca de 80 mil moradores, a cidade consome, em média, 14 milhões de litros por dia. O abastecimento só se normalizou ontem de madrugada. A água chegou vermelha às torneiras, elevando o volume de venda de água mineral.
A Sanepar contratou uma empresa para retirar a areia acumulada na estação de captação. Segundo o gerente interino Eduardo Kawassaki Júnior, a dragagem vai ajudar um pouco, mas a ameaça continua. ‘‘Se continuar chovendo desse jeito, vai haver novos colapsos’’, previu.
Estima-se que o Parque das Jaboticabeiras, implantado irregularmente na cabeceira do manancial de abastecimento, seja responsável por 70% do assoreamento do Piava e seus afluentes. O restante é causado pela falta de conservação de solo nas propriedades rurais.
A implantação de galerias para canalizar a água da chuva no bairro - 7 mil metros de tubulação e três lagoas de retenção - começou há seis anos. As obras estão paralisadas há três anos por falta de recursos.
Quando chove forte, a enxurrada arrasta toneladas de terra para dentro do rio, enche o reservatório de captação e a Sanepar é obrigada a parar as máquinas. A situação piora cada vez mais.
Além do problema na captação, os problemas de erosão na cidade também destroem tubos da rede de distribuição de água. Boa parte da tubulação é de PVC e se rompe quando a enxurrada abre buracos e voçorocas nas ruas.
A chuva forte de sábado também destruiu a ponte que liga os bairros Laranjeiras e Espanha, destruiu pela quarta vez todos os reparos e obras de controle de erosão em vários pontos da cidade. Ruas e estradas rurais estão cada vez mais esburacadas.
A Prefeitura já removeu quatro famílias de barracos que ameaçam cair. Existem mais 10 casas em situação de risco. O prefeito Fernando Scanavaca pediu ajuda do governo para combater os problemas causados pelo excesso de chuva.

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