Chuvas deixam Umuarama sem água
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segunda-feira, 27 de abril de 1998
Vânia Moreira 
Um novo colapso no sistema de captação da Sanepar, provocado pelas chuvas de sábado, deixou Umuarama sem água pela segunda vez em menos de 10 dias. Desta vez, a Sanepar foi obrigada a parar o sistema de captação por 22 horas. Os reservatórios esvaziaram e 90% da cidade amanheceu sem água no domingo.
Ontem de manhã, o prefeito Fernando Scanavaca (PTB) e o gerente regional da Sanepar, Francisco Marques dos Santos, viajaram para Curitiba para tentar a liberação imediata de verbas que permitam o reinício das obras de galerias de águas pluviais no Parque das Jaboticabeiras.
Dia 16, a chuva obrigou a Sanepar a desligar as bombas de sucção durante 14 horas, deixando metade da cidade sem água. A capacidade de reserva é de quase 7 milhões de litros, suficiente apenas para 12 horas de consumo.
Com cerca de 80 mil moradores, a cidade consome, em média, 14 milhões de litros por dia. O abastecimento só se normalizou ontem de madrugada. A água chegou vermelha às torneiras, elevando o volume de venda de água mineral.
A Sanepar contratou uma empresa para retirar a areia acumulada na estação de captação. Segundo o gerente interino Eduardo Kawassaki Júnior, a dragagem vai ajudar um pouco, mas a ameaça continua. Se continuar chovendo desse jeito, vai haver novos colapsos, previu.
Estima-se que o Parque das Jaboticabeiras, implantado irregularmente na cabeceira do manancial de abastecimento, seja responsável por 70% do assoreamento do Piava e seus afluentes. O restante é causado pela falta de conservação de solo nas propriedades rurais.
A implantação de galerias para canalizar a água da chuva no bairro - 7 mil metros de tubulação e três lagoas de retenção - começou há seis anos. As obras estão paralisadas há três anos por falta de recursos.
Quando chove forte, a enxurrada arrasta toneladas de terra para dentro do rio, enche o reservatório de captação e a Sanepar é obrigada a parar as máquinas. A situação piora cada vez mais.
Além do problema na captação, os problemas de erosão na cidade também destroem tubos da rede de distribuição de água. Boa parte da tubulação é de PVC e se rompe quando a enxurrada abre buracos e voçorocas nas ruas.
A chuva forte de sábado também destruiu a ponte que liga os bairros Laranjeiras e Espanha, destruiu pela quarta vez todos os reparos e obras de controle de erosão em vários pontos da cidade. Ruas e estradas rurais estão cada vez mais esburacadas.
A Prefeitura já removeu quatro famílias de barracos que ameaçam cair. Existem mais 10 casas em situação de risco. O prefeito Fernando Scanavaca pediu ajuda do governo para combater os problemas causados pelo excesso de chuva.


