Kraw Penas





LamaNa Vila Osternack, em Curitiba, 20 residências na beira do Ribeirão dos Padilhas ficaram alagadas. Na casa de Maria José de Souza, o trabalho ontem foi retirar a lama quando a água baixou um pouco (foto superior). Ruas do bairro também ficaram alagadas (foto central). Na Vila Piratini, parte de um barraco onde vivia uma família de cinco pessoas desabou, mas ninguém ficou ferido (foto inferior)

A chuva contínua que começou no último domingo já causa estragos em Curitiba, Região Metropolitana e Vale do Ribeira. Na Vila Piratini, em Curitiba, parte de um barraco desabou e na Vila Osternack a água invadiu pelo menos 20 casas situadas nas margens do Ribeirão dos Padilhas. Foram registrados alagamentos em Colombo, Almirante Tamandaré, São José dos Pinhais. Em Adrianópolis uma barreira caiu na BR-476 isolando o município do restante do Paraná.
O Corpo de Bombeiros de Curitiba passou toda a manhã atendendo chamados por causa de alagamentos nos bairros Pinheirinho, Piratini, Osternack, Barigui e Jardim Acrópole. Não houve desabrigados, mas as ocorrências colocaram a Defesa Civil em alerta.
Na Vila Piratini, parte de um barraco onde vivia uma família de cinco pessoas desabou. Rosângela Ferreira, de 22 anos, levantou para fazer mamadeira para a filha mais nova, de três anos, e por poucos minutos escapou de ser levada pela enxurrada junto com seu banheiro. Ela chamou os vizinhos e, com a ajuda deles, desocupou rapidamente o barraco. ‘‘Minha máquina de lavar roupa foi por água abaixo’’, conta Rosângela.
Maria de Lourdes da Silva, da Associação dos Moradores da Vila Piratini, diz que a construção de barracos na beira do Arroio Pinheirinho começou há cerca de 15 anos. Onze barracos já foram retirados, mas outras famílias voltaram a ocupar a área. A Defesa Civil recomendou que dez casas vizinhas, em área de risco, fossem desocupadas até que a chuva parasse e o nível da água baixasse. A Associação dos Moradores ofereceu abrigo temporário às famílias.
Na Vila Osternack, cerca de 20 residências na beira do Ribeirão dos Padilhas ficaram alagadas. Na casa de Maria José de Souza, onde vivem 14 pessoas, o trabalho foi retirar a lama quando a água baixou um pouco. Ela mora há seis anos no local e diz que seu lote é regular. ‘‘Pago R$ 69,00 por mês e não tenho sossego’’, reclama. Segundo ela, as enchentes começaram há um ano e meio, quando houve obras de aterro nas calhas de drenagem. Mesmo depois que o nível da água desceu, como a rua é mais baixa, as casas ficaram entre o rio e o alagamento. Na Região Metropolitana, foram registrados alagamentos no Jardim Paraíso, em Almirante Tamandaré, e na Borda do Campo, em São José dos Pinhais.
Em Adrianópolis, não houve tempo de arrumar as estradas desde a última enchente no Rio Ribeira, no início deste mês. A prefeitura informou que técnicos do DNER estão na cidade, mas a chuva impede que o trabalho seja iniciado. Até ontem à tarde, o nível do rio estava normal e a balsa que faz o transporte até a cidade paulista de Ribeira, do outro lado da margem, estava operando normalmente. Houve uma nova queda de barreira na BR-476, isolando Adrianópolis do resto do Estado. Segundo o Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), deve continuar chovendo hoje, mas amanhã há possibilidade de melhoria nas condições climáticas.

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