Paulo WolfgangReconstruçãoO dia ontem foi de muito trabalho para os moradores do jardim Olímpico: 19 barracos danificadosMoradores de uma área ocupada nos fundos do jardim Olímpico (zona oeste) passaram o dia reconstruindo seus barracos atingidos pela chuva que caiu anteontem à noite. Apesar de ter durado poucos minutos, a chuva provocou estragos em pelo menos 19 barracos e casas, segundo dados da Federação das Favelas, Núcleos e Assentamentos de Londrina.
A auxiliar de serviços gerais Sebastiana Gonçalina Soares, 53 anos, conta que, anteontem à noite, começou a chover de repente. ‘‘Não foram nem dois minutos de vento e chuva e o telhado da minha casa já estava todo em pedaços’’, afirma. Ela diz que teve sorte ao não ser atingida por estilhaços do telhado de fibrocimento porque não estava dormindo.
Sebastiana Soares explica que correu até o quarto de seu pai e carregou-o até o banheiro. ‘‘Foi o único lugar da casa que não ficou destelhado’’, relata. Ela conta que os dois passaram a noite na casa da vizinha. Ontem, com a ajuda do filho e dos vizinhos, ela tentava colocar uma lona sobre a casa. ‘‘Tive que mandar o meu pai para a casa de uma das minhas filhas. Não tinha condições dele ficar aqui’’, alega.
Pior é a situação de Edinéia Dias Moreira, 25 anos, que morava com seus dois filhos pequenos e mais cinco pessoas em um pequeno barraco de madeira. Com o vento, o barraco foi totalmente destruído e poucos móveis se salvaram. ‘‘Só deu tempo de pegar as crianças e sair correndo para fora da casa’’, relata. Ela espera agora uma ajuda da Prefeitura para reconstruir o barraco.
Os 19 barracos que foram destruídos total ou parcialmente pela chuva ficam na área invadida há alguns meses por sem-teto. O presidente da Federação das Favelas, José Ricardo da Silva, afirma que a área mais prejudicada com a chuva foi a da invasão.
José Ricardo diz que conseguiu, junto à Cohab, lonas para os moradores das casas mais atingidas. ‘‘Em algumas outras casas, foram só algumas telhas que quebraram.’
A chuva de quinta-feira à noite também deixou estragos em dois laboratórios do departamento de Química e Bioquímica da Universidade Estadual de Londrina (UEL), no bloco R do campus, que foram inundados. Diversos equipamentos ficaram encharcados. As salas dos professores foram alagadas. Para tirar a água do local, secar os equipamentos e cobri-los, alunos, professores e funcionários do departamento tiveram que fazer um mutirão.
Mário CésarFora de açãoOs laboratórios do Departamento de Química da UEL: equipamentos atingidos e aulas suspensas
É a terceira vez, em um ano, que o prédio é invadido pela água. O problema está na cobertura do bloco, que começou a ser reformada e ainda não acabou. ‘‘É um prédio doente, que tem problemas há muitos anos. São infiltrações e problemas até mais sérios’’, explica a chefe do departamento de Química, Maria Cristina Solci.
A situação é de calamidade. Maria Cristina conta que foi decretada a interdição ‘‘verbal’’ do prédio. Segundo ela, o reitor da UEL, Jackson Proença Testa, esteve no local na manhã de ontem e disse que o bloco seria interditado. As aulas foram suspensas. Os professores não escondiam a indignação com a situação. Os equipamentos foram removidos para locais mais seguros.
‘‘É uma falta de respeito aos professores, alunos, funcionários e ao patrimônio público. Há quanto tempo temos esses problemas e não há solução’’,
diz Maria Cristina.
O prefeito do campus Universitário, Luiz Alberto Navolar, afirmou ontem que está sendo providenciado o encerramento de contrato com a empreiteira responsável pela obra da cobertura do bloco. Com isso, a Prefeitura do Campus assume a obra. Navolar acredita que dentro de 45 dias a cobertura esteja pronta.

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