Chuva volta a causar transtornos
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sábado, 07 de janeiro de 2012
Marcos Roman Reportagem Local
Ainda se recuperando dos grandes danos ocasionados por temporais que assolaram a cidade em outubro do ano passado, Londrina sente os reflexos de problemas urbanos que são evidenciados a cada nova chuva. Segundo o Simepar, na quinta-feira choveu apenas 17 milímetros no final da tarde, volume considerado normal para a essa época do ano. Entretanto, a quantidade foi suficiente para entupir bueiros e causar refluxos na área nobre e na periferia londrinense.
Às margens no Lago Igapó II (Região Central), um escritório de paisagismo foi inundado de impurezas trazidas pelo refluxo de um esgoto entupido na Rua Bento Munhoz da Rocha. ''No final da tarde de ontem (quinta-feira) a gente começou a sentir o mau cheiro que vinha do banheiro. Alguns minutos depois começou a sair lesma, barata e fezes pelo ralo. Ligamos para a Sanepar, mas o desentupimento só começou a ser feito na manhã de hoje (ontem)'', reclamou a encarregada administrativa da empresa, Layane Schonenberg.
De acordo com ela, essa foi a segunda vez que o problema ocorreu. ''Em outubro passamos pela mesma situação. Mesmo após limpar toda a sujeira. o mau cheiro permaneceu por cerca de uma semana'', ressaltou Layane.
Já na periferia a situação é bem mais crítica. Basta uma nuvem escura surgir no céu para o medo se espalhar entre os moradores da Rua Waldyr de Azevedo, no Conjunto Parigot de Souza II (Zona Norte). A cada chuva as pessoas correm o risco de serem arrastadas pelas enxurradas. Crateras abertas no asfalto e aumentadas ao longo de anos impedem a chegada de carros e outros veículos ao final da via. E, para piorar a situação, as chuvas que caíram na cidade na última quinta-feira descobriram a rede de esgoto, causando mau cheiro, risco de transmissão de doenças e incômodo para os moradores locais.
''Mudei para cá há mais de 30 anos e já faz uns 15 que a gente vive um sofrimento pior do que quem mora na favela. Toda vez que chove meu quintal fica inundado, quem está dentro de casa não consegue sair e quem está fora não pode entrar'', relatou a dona de casa Angelita Zacarias da Silva.
Segundo ela, em outubro um menino que estava andando de bicicleta foi carregado pela chuva e os vizinhos conseguiram salvá-lo. ''Mas bicicleta nunca mais foi achada. Além disso, nenhum carro passa por aqui devido aos imensos buracos. Se a gente precisar de uma ambulância corre o risco de morrer por causa disso. Já cansamos de reclamar na prefeitura e ninguém faz nada'', acrescentou Angelita.
''Enquanto alguém não morrer, ninguém vai fazer nada. É uma vergonha viver nessa situação'', enfatizou o microempresário Carlos Alberto Silva. ''Minha calçada cedeu e a gente vive com medo toda vez que chove'', afirmou o vigia Valdivino Manzano.
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